Filha de costureira e pedreiro é aprovada em Harvard e faz vaquinha para custear parte do curso

Aos 22 anos e com uma graduação em farmácia recém-terminada, a goiana Thauany Micaelly Araújo Galvão, primeira a finalizar um curso superior na família, foi aprovada para uma pós-graduação de seis meses na Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, nos Estados Unidos. Filha de pai pedreiro e mãe costureira, a jovem nasceu em Estrela do Norte, município com pouco mais de cinco mil habitantes no interior de Goiás, e se mudou para Goiânia ainda na infância com os pais que buscavam um futuro melhor. Dedicada às aulas, estudou em escola pública e conseguiu uma bolsa integral em uma universidade particular por meio do Programa Universidade Para Todos (Prouni), o primeiro passo para sua formação profissional. Sem conseguir emprego após a formatura, ela começou a buscar por oportunidades que a fizeram conhecer o curso internacional.

“Comecei a buscar alguns cursos profissionalizantes. Um dia eu pensei: ‘Vou pesquisar alguns cursos em pesquisa clínica’ e apareceu a propaganda desse curso em Harvard. Aí eu olhei os documentos necessários, eram coisas básicas, diploma, histórico escolar, uma carta dizendo por que eu deveria ser aceita em Harvard e uma carta de recomendação. Eu enviei, jurando que era só um workshop, um curso básico. Quando eu recebi a mensagem do reitor de Harvard quase infartei porque ele me dizia que eu tinha sido aceita em um programa de pós graduação com bolsa de 25% e eles estariam honrados em receber uma aluna brilhante e tão esforçada como eu”, explica. Com os descontos dados pela bolsa parcial, Thauany precisará desembolsar cerca de US$ 6 mil (pouco mais de R$ 30 mil) para ter direito ao seu certificado na universidade.

O valor da matrícula, de US$ 600, foi pago com ajuda da Faculdade Unida de Campinas, local no qual ela fez graduação. Com a inscrição em Harvard realizada, Thauany vai poder fazer parte do curso em formato EAD, mas precisará finalizá-lo nos Estados Unidos. Para completar o pagamento da instituição de ensino, assim como para garantir o visto para o país norte-americano, ela abriu uma vaquinha virtual nas redes sociais, que logo viralizou. “Nunca imaginei esse alcance. Muita gente que eu não conheço, de outros Estados, está me ajudando, me mandando valores e mensagens de apoio”, recorda. Até o momento, R$ 14 mil dos R$ 30 mil idealizados na vaquinha foram arrecadados em pouco menos de um dia de campanha.

A paixão pela profissão que escolheu serve como combustível para que a cientista busque o resto do dinheiro da sua capacitação em pesquisa clínica e chegue ainda mais longe na vida profissional. Se especializar na área de oncologia é a meta para ela durante e depois das aulas em Boston. “Eu tive alguns pacientes durante os estágios, durante a faculdade, e um deles faleceu com câncer. Desde então eu prometi para mim mesma que eu ia morrer tentando achar a cura do câncer e de diversas outras doenças. Minha grande expectativa é conseguir me profissionalizar e me tornar uma grande profissional da área para poder ajudar outras pessoas”, pontua.