São Paulo registra queda de 17,5% nos transplantes de órgãos e tecidos

Nos três primeiros meses deste ano, o número de transplantes caiu 17,5% no Estado de São Paulo em comparação com mesmo período de 2020. Segundo o coordenador da central de transplantes, Francisco Salomão, na pandemia, as medidas como a suspensão temporária dos transplantes eletivos de córnea e a orientação para avaliar cirurgias com doadores vivos impactaram. “A gente também não pode só inferir que foi em decorrência a essa tipo de transplante. A de tecido, no caso córnea, ou doador vivo. Quando a gente olha falecido, a gente vê que também teve uma queda. E esses números chegam até a ser expressivos dependendo do órgão que estamos observando, por exemplo o pulmão”, relata. O pulmão já é um órgão que tem baixo aproveitamento para transplantes, com índice de 5%. Sendo principal alvo da Covid-19, a taxa de transplante do órgão caiu para 3%.

Outra medida adotada no Estado de São Paulo foi a obrigatoriedade do teste PCR de Covid-19 nos potenciais doadores, mesmo que eles não apresentassem sintomas clínicos antes da morte cerebral. Isso é feito desde abril do ano passado, independentemente do órgão a ser doado ser, ou não, o pulmão. Em 7% dos casos, os resultados foram positivos impossibilitando a doação. Atualmente, 17.633 pessoas aguardam na fila por um transplante no Estado, sendo que mais de 13 mil esperam por um rim. Esse é o caso do auditor Ailton de Abreu, que espera há quatro anos. Para ele, ainda falta esclarecimento e conscientização sobre doação de órgãos no Brasil e a legislação poderia ajudar mais.

“Na Argentina, aqui do lado, tem a lei Justina, que foi aprovada. Essa lei inverte, todo mundo nasce doador. Se você não quiser doar, você tem que declarar. Isso aumenta a quantidade de pessoas”, conta. No Brasil, tramitam ao menos três propostas no Senado Federal parar tornar pressuposto consentimento para a doação de órgãos. Pela atual legislação, para ser doador é preciso manifestar a intenção em vida ou ter autorização da família. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a negativa familiar chega ao patamar de 40% no país.

*Com informações da repórter Carolina Abelin