A natureza na universidade: professor de medicina revela fauna do campus da USP Ribeirão


Caminhar pelo campus e fotografar os bichos virou uma terapia para o médico e a família. Encontro com o Bugio (Alouatta guariba) foi um dos mais marcantes
Wilson Salgado Jr/VC no TG
O campus da USP em Ribeirão Preto sempre esteve no trajeto do médico cirurgião Wilson Salgado Júnior. Ele chegou ali em 1989 para a graduação, depois fez mestrado, doutorado e hoje é professor na Faculdade de Medicina. A esposa, Valéria, é filha de um ex-professor da Universidade e chegou a morar no campus quando era criança. Já o filho, Vinícus, seguiu outro caminho profissional. Ele estuda direito, mas não trocou o endereço do ensino.
Aves silvestres como a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) estão espalhadas pelo campus
Wilson Salgado Jr/VC no TG
“A partir de 2019 com nosso filho vindo fazer Faculdade aqui as coisas mudaram. Passava a ser agora um assunto familiar. Começamos a frequentar a grande fazenda que é o campus em outros horários e com outra visão. E à medida que caminhávamos pelas numerosas ruas e trilhas, percebemos a pujança de sua flora e fauna”, conta o médico.
“Passou a ser uma verdadeira terapia familiar. Um momento a mais para estarmos juntos em um lugar que nos traz muito prazer e boas recordações.” Wilson Salgado Júnior, médico
Wilson, a mulher Valéria e o filho Vinícius gostam de explorar a natureza pelo mundo
Wilson Salgado Jr/VC no TG
A família gosta de viajar e conhecer paisagens selvagens. Já desbravaram a Serra da Canastra, Chapadas Diamantina e dos Veadeiros, foram de carro para até o Machu Picchu e o Deserto Atacama. Para quem gosta de natureza, como eles, trabalhar e estudar na USP-RP é mesmo um privilégio.
Campus da USP-RP tem 580 hectares e já foi uma fazenda de café
Foto: Divulgação USP-RP
O campus tem 580 hectares dos quais 160 são reservas ecológicas de caráter permanente. Bosques, jardins e um belo lago rodeiam bibliotecas, laboratórios, um hospital, seis faculdades e duas escolas de ensino superior por onde transitam cerca de 20 mil pessoas por dia em tempos normais.
Ao lado de edifícios modernos, se destacam construções seculares como o prédio central, antiga sede da Fazenda Monte Alegre que pertenceu ao Coronel Francisco Schmidt, o rei do café no início do século XX. A área foi apropriada pelo estado em 1940 para ser transformada em universidade.
O lago da USP já foi palco de competições de nado e é casa de um jacaré
Wilson Salgado Jr/VC no TG
Nesse cenário tão especial, professor Wilson e a família procuram seus personagens preferidos: os bichos. Eles já se depararam com pelo menos 50 espécies de aves, macacos, ouriços e até um jacaré-de-papo-amarelo que mora no lago do campus.
“Cada vez que víamos um pássaro novo e conseguíamos registrar, ficávamos empolgados. Mas sem dúvida alguma os dois encontros que nos surpreenderam mais foram os dos bugios, com seu característico grito que chega a assustar e também o encontro diurno com o urutau. Já o tinha escutado uma vez de madrugada, perto de casa, mas achá-lo de dia, camuflado entre os galhos, foi fascinante”, revela o professor.
Urutau ou Mãe-da-lua (Nyctibius griseus) está entre as aves enigmáticas do campus
Wilson Salgado Jr/VC no TG
Recentemente ele passou a levar uma câmera a tiracolo e para registrar esses encontros. “Ao publicar vídeos em mídia social, acabei inclusive reencontrando amigos que não via há muito tempo. Com esta inspiração a mais, me dispus a ajudar o professor Silvio Tucci Júnior, docente como eu do Departamento de Cirurgia e Anatomia, que tem um projeto de fazer um livro com as espécies de aves do Campus”, explicou. Atualmente os registros estão na página do professor no Facebook.
Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus) se alimenta dos frutos
Wilson Salgado Jr/VC no TG