A pescaria no ritmo do rap


Dupla de Curitiba descreve a rotina dos pescadores esportivos e a relação com meio ambiente em versos que falam sobre peixes, rios e praias. Torto Mariote conta que o maior peixe que já fisgou foi uma sernambiguara de pouco mais de três quilos.
Torto Mariote/Arquivo Pessoal
Qual é a trilha sonora de uma pescaria? Moda de viola? Música sertaneja? Para uma dupla de Curitiba a resposta é outra. “Os versos do rap e da moda de viola, são bem parecidos, se escreve primeiro uma poesia, depois o que muda é a melodia que o cantor vai dar para letra. Na hora de escrever é igual”, conta Torto Mariote, cantor que mora em Curitiba e é apaixonado por pescaria. “Sempre fiz música, sempre fiz rap. Até que um dia, pescando em uma praia em Santa Catarina, um amigo de Minas Gerais me deu a ideia de colocar nas letras, todo esse ‘universo’ tão incrível da pescaria. Topei o desafio e deu certo”, completa Mariote.
O rap é um estilo musical com bastante ritmo e com falas rimadas, marcado pelas letras de protesto que falam sobre a difícil realidade das periferias. Mesmo falando sobre natureza, as letras dos cantores do Paraná, não deixam de passar uma mensagem de conscientização. “Um dos princípios do rap, que a gente chama de lírica, o conceito que a gente põe na letra, foi sempre falar verdades, sobre a sua vida, então, a gente passa nossa verdade, dentro desse ambiente de pesca, desse contato com a natureza”, conta Mano Galax.
“Meu caique é meu refúgio, nele eu fujo da cidade”, na letra “Caiqueiro Solitário” os compositores falam de um tipo de pescaria que cresce mais a cada dia e descrevem como na pesca de caiaque o pescador tem um contato direto com o meio ambiente. “Respeito a natureza em primeiro lugar e aproveito o que de melhor a vida pode me dar”, diz a letra.
Dupla de Curitiba topou o desafio de falar de natureza em suas letras de rap
Divulgação
Na música “Simplesmente Pescador”, a dupla fala sobre tucunaré, preservação e desse envolvimento com a pescaria, que passa de geração para geração. “Na hora de fazer o refrão, chamei o Mano Galax e falei: ‘o refrão precisa falar de pai’. A gente fez uma reflexão sobre onde nossos pais pescavam e tudo que a gente aprendeu com eles”, explica Torto Mariote. A composição da música retrata um pouco da infância de muitos pescadores que frequentavam os rios acompanhados da família. “Varinha de bambu, anzol de lambari, ah como era bom, meus tempos de guri”, traz a letra.
A dupla também retrata com bom humor, os “apuros” que os pescadores enfrentam para conseguir uma “autorização” em casa para conseguir viajar. “Quem manda é a mulher, se a mulher falar, você não vai pescar, nem adianta discutir”, brinca Mariote, que na música “Alvará de Pesca” conta todas as estratégias que o pescador usa para convencer a esposa.
Conheça mais sobre as músicas e sobre essa dupla de Curitiba no Terra da Gente deste sábado (29/05), às 14h, na EPTV.