Alta de internações não Covid e de infectados entre 40 e 59 anos motivaram suspensão de cirurgias eletivas, diz HC da Unicamp

Nesta quarta (2) pela manhã, quatro pessoas aguardavam leitos de internação em UTI Covid e enfermaria. Na terça, além das eletivas, foi suspenso por 48 horas o atendimento no PS do hospital. PA Metropolitano é opção para pacientes. A suspensão de cirurgias eletivas e do atendimento no Pronto-Socorro do Hospital de Clinicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), foi resultado da alta de internações de pacientes não Covid, ou seja, com outros problemas de saúde, e também de infectados com coronavírus na faixa de 40 a 59 anos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (2) em entrevista coletiva no hospital.
“A situação foi um afluxo grande de pacientes no PS num cenário de falta de leitos de UTI para Covid, mas o mais grave problema que estamos tendo também são pacientes não Covid. […] O PS é de porta-aberta, 80% do nosso movimento diário é de procura espontânea”, afirmou Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, superintendente do HC.
Nesta terça (1) a capacidade de atendimento do PS estava em 295%, com cinco pacientes intubados na urgência, sem vagas de UTI, e 38 esperando leito em enfermaria. Seis pessoas aguardavam para fazer cateterismo, sendo algumas com infarto suspeito ou confirmado, disse o superintendente.
Na manhã desta quarta-feira, quatro tinham necessidade de internação em UTI, sendo que dois estavam intubados no PS.
“Tem a infraestrutura, mas o local ideal seria uma UTI. E os outros, que são pacientes clínicos, não têm nenhum aguardando cirurgia, só avaliação cirúrgica, mas tem 32 no total”, completou Oliveira.
A suspensão do atendimento no Pronto-Socorro do HC da Unicamp será reavaliada nesta quinta-feira (3) à tarde. Já as cirurgias eletivas terão o cenário revisto na tarde da próxima segunda-feira (7).
Onde buscar atendimento de urgência e emergência
Uma opção de atendimento para quem precisar de pronto-socorro é a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Anchieta Metropolitana, reforçou o superintendente, que fechou convênio recentemente entre a prefeitura e a Unicamp para pediatria e clínica médica.
Em nota, a Rede Mário Gatti, que faz a gestão da UPA, informou que a unidade está disponível para atender a população, com suas equipes completas. No entanto, esta é uma unidade voltada a casos de baixa e média complexidade e não pode absorver demandas hospitalares, como as que seriam direcionadas ao Pronto-Socorro do HC.
“Casos graves devem ser destinados aos prontos-socorros municipais como os dos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde”, ressaltou a prefeitura.
O HC da Unicamp é um hospital de alta complexidade, que recebe casos graves regulados pelo sistema Cross de toda a região de Campinas e arredores, como vítimas de acidentes de trânsito, transferências com helicóptero Águia e pelo Samu.
Média de 10 cirurgias suspensas
O superintendente explicou que o hospital deixou de realizar 10 cirurgias eletivas, que tem sido a média diária na pandemia, e ressaltou que não havia agendamentos para o feriado.
“O que nós estamos mantendo ainda são tratamentos e operações dos pacientes com câncer. Isso gente não suspende. […] Mesmo as cirurgias eletivas, têm prioridades. Esse manejo de lista de prioridades que é um trabalho bastante delicado e importante de ser feito para a população”.
Oliveira afirmou que pacientes à espera das cirurgias eletivas também podem acabar agravando a situação de saúde, e tem sido parte da procura do HC.
“Qual é o grande problema que estamos tendo, e todos os hospitais? É que os pacientes eletivos que estão aguardando tratamentos cirúrgicos e clínicos vão agudizando e piorando as suas condições. Então, chegam na urgência. Isso vai gerando um grande problema para todo mundo, para os pacientes, para a equipe e para o hospital, que tem uma capacidade limitada física, e de estrutura e de pessoal”, explica.
Internação mais longa de pacientes Covid
Entre os infectados com coronavírus, além da queda na faixa etária dos que precisam de internação – entre 40 e 59 anos, mas principalmente entre 50 e 59 no HC – o tempo de internação médio de cada um é de cerca de 12 dias.
“Os pacientes acometidos estão numa faixa etária mais jovem, cada vez mais, e esses pacientes estão ficando mais tempo internados ainda”, disse Oliveira. Idosos, já vacinados contra a Covid-19, representam menos internações.
“Além disso, os jovens são os menos aderentes às medidas de isolamento social. Quando a gente ouve falar de festas clandestinas e outras aglomerações clandestinas, a maior parte das pessoas que fazem esse tipo de aglomeração são os indivíduos de faixa etária menor, o que propicia a infecção de uma faixa etária não vacinada”, explicou o médico Plínio Trabasso, infectologista e coordenador de assistência do HC.
Trabasso ressaltou que desde o fim de maio houve uma alta importante nas internações de Covid-19. Em abril era de cerca de 70 a 80 pacientes internados em UTI e enfermaria, e passou a aproximadamente 100 atualmente.
“No fim de maio, foi mais um repique do que tínhamos. Saímos de uma média de 25 pacientes internados por dia em fevereiro, subimos para mais de 120 internados por dia no final de março e, durante o mês de abril, começamos a decrescer gradativamente para média entre 70 e 80. A partir desse basal já elevado, teria esse repique, estamos com mais de 100 pacientes internados com Covid, somando enfermaria e terapia intensiva”.
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