Anta cai em poço de 7 metros e é resgatada com retroescavadeira


O macho adulto, com cerca de 250 quilos, não se feriu e logo voltou à natureza; resgate durou cerca de quatro horas entre captura e soltura. Carinhosamente apelidado de ‘Dinho’, macho resgatado pesava cerca de 250 quilos
Rafael Mana/Arquivo Pessoal
Na última semana a cidade de Tapiraí (SP) – cujo nome em tupi significa ‘água de anta’ ou ‘rio das antas’; foi cenário para um resgate improvável, mas bem-sucedido: o biólogo Rafael Mana, com auxílio da esposa veterinária Bárbara, retirou de um poço com sete metros de profundidade uma anta adulta, macho, com cerca de 250 quilos.
“Pedreiros que trabalham em um terreno próximo ao local do acidente notaram que o poço – aberto há poucos dias na tentativa de encontrar água; estava descoberto, sem as estruturas de madeira por cima. Foi assim que descobriram o animal e logo pediram ajuda para a prefeitura”, conta Mana.
O animal provavelmente caiu ao fugir de cachorros domésticos
Rafael Mana/Arquivo Pessoal
O especialista acredita que a queda se deu após uma fuga de cachorros domésticos encontrados na região. “Dificilmente ela andaria por cima das madeiras em circunstâncias normais, por isso acreditamos que estava correndo no momento do acidente”.
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Pendurado por uma corda o biólogo anestesiou o animal ainda dentro do poço
Rafael Mana/Arquivo Pessoal
Retroescavadeira e anestésicos
A anta foi anestesiada para ser removida em segurança. “Ela estava muito nervosa e inquieta. Como foi um atendimento de urgência, tivemos que adaptar um aplicador com algumas varas de madeira para sedá-la. Durante esse processo eu fiquei pendurado por uma corda, presa em uma retroescavadeira”, lembra o biólogo, que amarrou o animal com cintas para poder içá-lo. “Nós subimos juntos, puxados pela máquina. Tudo isso durou aproximadamente duas horas”, diz.
Retirado do poço, o mamífero passou por análises clínicas e o resultado impressionou. “A Bárbara avaliou todo o animal e não detectou nenhuma fratura, ferimentos ou qualquer outro problema. Provavelmente a terra do fundo do poço ainda estava fofa e amorteceu a queda. Nós ficamos ainda mais espantados porque ele caiu sentado. Foi quase que milagroso mesmo”.
Os especialistas ficaram impressionados com o sucesso do resgate: o animal não se feriu
Rafael Mana/Arquivo Pessoal
Além da avaliação médica, a veterinária aplicou soro para hidratar o animal. “Não sabíamos quanto tempo ele ficou preso no poço. Mesmo sem nenhum machucado, aplicamos alguns analgésicos para que ele voltasse à natureza sem sentir dor”, completa.
De volta à natureza
Rafael e a esposa monitoraram a anta de perto até que o animal voltasse da sedação. “Ficamos com ela por uma hora e meia, até realizarmos a soltura. Optamos pelo mesmo local por se tratar de um macho adulto, já com certa idade, que com certeza tem as parceiras por perto. Tentamos sempre evitar a retirada dos animais para não causar problemas de interferência entre populações já estabelecidas, principalmente entre espécies que exercem um certo territorialismo”, explica o biólogo.
No dia seguinte funcionários da prefeitura observaram o mamífero – carinhosamente apelidado de ‘Dinho’; saudável e aparentemente bem. “Ficamos de sobre aviso caso fosse necessário retornar ao local para atendê-lo, mas graças a Deus foi um sucesso”, finaliza.
A anta é o maior mamífero terrestre nativo do Brasil
Rafael Mana/Arquivo Pessoal