Aprender receitas típicas é uma das melhores experiências ao morar no exterior


Conheça a história do oftalmologista de Ribeirão Preto que colocou o seu talento na cozinha em favor de uma lição escolar e viu a oportunidade de empreender envolvendo os filhos. Viviane Branco Sangenis preparando o mbeyú para o lanche da família: sabores da culinária paraguaia são reproduzidos também agora no Brasil
Crédito: arquivo pessoal
Muitas pessoas que gostam de viajar para conhecer novos lugares costumam incluir em seu roteiro paradas para saborear pratos típicos. Outras, até priorizam o lado gastronômico do passeio, buscando saborear e conhecer ainda mais a cultura relacionada aos comes e bebes do destino. Mas, quem vive no exterior e se identifica com a cozinha, é quem realmente tem a maior chance de se aprofundar no conhecimento dos preparos que fazem parte do dia a dia e até de tradições mantidas por diversas gerações.
Foi o que fez a fisioterapeuta Viviane Branco Sangenis, de 41 anos, moradora de Paulínia. Ela viveu com a família durante seis anos no Paraguai, após dois anos nos Estados Unidos. Nos dois locais, aprendeu bastante sobre a culinária local e com frequência fazia as receitas em casa.
“Para mim, viver em outro país é ter uma oportunidade única de vivenciar uma nova cultura. A culinária é a minha parte favorita dessa vivência porque expressa em sabores tudo aquilo que um povo tem de melhor”, afirma.
Como ela adora cozinhar e descobrir novos sabores, foi no Paraguai que aprendeu uma série de receitas típicas, entre elas a sopa paraguaia, que na verdade é uma torta preparada à base de farinha de milho, e a chipa guazú, que é feita com o grão do milho fresco e também se parece uma torta. Outros preparos típicos de nosso país vizinho que entraram para o cardápio da família de Viviane são o mbeyú (veja receita ao final da matéria), que é um preparo com polvilho azedo, queijo paraguaio, manteiga e leite, e se parece um pouco com a nossa tapioca, e o bori bori, um caldo que leva frango, legumes, verduras e umas bolinhas feitas com farinha de milho e queijo paraguaio.
O mbeyú é uma famosa iguaria típica do Paraguai que pode ser apreciada no café da manhã ou no lanche da tarde; o tradicional é puro, mas há variações, por exemplo, com presunto e queijo
Crédito: arquivo pessoal
De volta ao Brasil desde dezembro passado, a fisioterapeuta faz questão de sempre que possível levar à mesa as receitas da culinária paraguaia, que é baseada na cultura dos índios guaranis.
“É fácil reproduzi-las porque os ingredientes básicos são facilmente encontrados aqui e quando não encontro, é possível substituir. Lá eles utilizam muito o milho, a mandioca e o queijo paraguaio, que é parecido com a muçarela fresca artesanal, mas sem sal. Aqui substituo pela muçarela de búfala ou queijo mineiro frescal”, explica.
Ana Amélia Bergamini Machado com a moka que trouxe da Itália: café e neola são servidos juntos; período em que viveu por lá foi importante para aprender a riqueza da cultura culinária do país
Crédito: Arquivo pessoal
Itália além da pizza e pasta
A pesquisadora Ana Amélia Bergamini Machado, de 45 anos, também aproveitou o período em morou na região de Abruzzo, na Itália, para aprender sobre a culinária regional, tão rica lá e marcada pelo hábito de cozinhar em casa e pelas sagras, que são festas típicas.
Inicialmente, ela morou em L´Aquila, mas foi quando se mudou para Basciano, um vilarejo de 2.500 habitantes, que pode conhecer melhor a culinária da região e começou a colocar a mão na massa. Sua sogra a ajudou muito com as receitas. Ali, ela aprendeu a preparar escripela inbussa, que é um tipo de crepe que se come enrolado com parmesão, chitarra, que é uma espécie de espaguete, mas é cortado em quadradinhos, e a virtu, uma saborosa sopa que se prepara no dia 1º de maio em Teramo e se coloca todos os alimentos que sobraram do período do inverno. “Simboliza o início da primavera e da nova colheita”, explica.
De volta ao Brasil com a família, Ana Amélia faz questão de continuar preparando alguns pratos que vieram em sua bagagem de aprendizados por lá, inclusive aqueles que são tradicionais para comemorar algumas datas. “A neola, é um biscoitinho doce feito no Carnaval, e o biscotti di mandorla, não pode faltar no Natal”, diz. Para preparar ambos, é necessário contar com a ferratela, uma máquina própria que ela fez questão de trazer com a mudança. “Passei os melhores momentos da minha vida, lá. Foi um período muito rico em experiências em que pude aprender o valor que os italianos dão à alimentação”, define.
Aqui, a pizza e a pasta, claro, não ficam esquecidas. Aos sábados, a tarefa de seu marido, Ettore, é preparar a massa da pizza. Fica também a saudade de pratos que a pesquisadora fazia muito por lá, mas ainda não conseguiu reproduzir aqui pela falta dos ingredientes, como é o caso da pasta ao sugo de vôngole.
E na sua casa, você também prepara comidas típicas de outros países? Confira mais histórias e também todas as receitas do concurso Tá Combinado.