Ave mais rápida do mundo é flagrada na torre da EPTV em Araraquara (SP)


Falcão-peregrino ultrapassa os 320 km/h em queda livre e percorre 25 mil km em jornada de migração. Espécie pode ser encontrada no Brasil de outubro a abril. Falcão-peregrino pousa na torre da emissora
Na manhã de sexta-feira (19) a torre da EPTV Araraquara recebeu a visita de uma ave ilustre, o falcão-peregrino (Falco peregrinus), considerado o animal mais veloz do mundo. A câmera da estrutura flagrou o rapinante pousado, onde permaneceu por alguns minutos.
O falcão-peregrino pode ultrapassar os 320 km/h em queda livre
Ocorre em quase todo o mundo exceto na Antártida
Pode percorrer até 25 mil quilômetros durante migração
Rapinante deixa o Hemisfério Norte e chega no Brasil em outubro
Espécie pode ser observada no nosso território geralmente até abril
Costuma pousar em torres e prédios
É considerada sagrada na mitologia egípcia e já inspirou projetistas a criação de uma avião
A primeira vista, pode parecer um falcão comum, mas este é o maior do gênero Falco e tem características fascinantes. O nome da espécie já diz muito sobre ele, é um viajante por excelência, percorre uma jornada de 25 mil quilômetros em que deixa o hemisfério norte e chega ao sul.
É uma ave cosmopolita, isso significa que ocorre em quase todo o mundo, exceto na Antártida e em algumas ilhas oceânicas isoladas. No Brasil pode ser observado entre os meses de outubro a abril, após esse período ele retorna ao hemisfério norte para reproduzir.
Falcão-peregrino possui envergadura de 120 centímetros
Gabriel Arroyo/ Arquivo Pessoal
Geralmente o falcão-peregrino é visto em áreas urbanas, mas isso não o torna uma espécie comum. Assim como outros falcões gosta de descansar no alto dos prédios, em torres e até mesmo em caixas de ar condicionado dos edifícios, onde tem o campo de visão amplo e perfeito para capturar o alimento. A principal presa do peregrino são os pombos e por isso esse falcão é considerado importante para controlar a superpopulação dessas aves.
Além de encantar os observadores de aves e admiradores da natureza, o falcão-peregrino é uma espécie repleta de significados. Na mitologia egípcia ele simboliza Hórus o Deus do Céu. Aliás, a lágrima característica conhecida no símbolo de Hórus vem do próprio falcão, que apresenta faixas negras escorridas na face.
Pombos são as principais presas do falcão mais rápido do mundo
Gabriel Arroyo/ Arquivo Pessoal
O casal desse rapinante possui a mesma plumagem, porém a fêmea da espécie é maior. Enquanto o macho pesa cerca de 1 kg, a parceira atinge o 1,5 kg. Do esqueleto, às asas e até pálpebras especiais, o peregrino tem o corpo todo adaptado para que ele consiga “mergulhar” no ar e abater as presas em voo. Características da espécie inspiraram projetistas a criarem aviões de caça como o F-14 Tomcat.
No continente americano ocorrem quatro subespécies do peregrino, e apenas duas chegam ao Brasil, o Falco peregrinus tundrius e o Falco peregrinus anatum, e a espécie que pousou na Torre da EPTV correspondia à segunda citada.
“Os indivíduos registrados no nosso país são originários principalmente dos Estados Unidos e Canadá, onde reproduzem. Algumas características morfológicas da ave flagrada na torre, como o porte avantajado e a lágrima bem larga – a faixa que desce embaixo do olho – sugerem que seja uma fêmea da subespécie Falco peregrinus anatum, que reproduz principalmente na região central dos Estados Unidos”, explica Luciano Lima, biólogo especialista em aves.
Seja na mitologia ou no mundo real, não dá para negar, o falcão-peregrino é de fato uma ave sagrada.
Falcão-peregrino sofreu grande ameaça no passado
Gabriel Arroyo/Arquivo Pessoal
Quase foi extinto
A população de falcão-peregrino sofreu um grande declínio na década de 60 devido ao uso do pesticida DDT na agricultura. A prática contaminou muitas aves, inclusive das quais o peregrino se alimentava. A presença do veneno no organismo causou problemas no metabolismo do rapinante incluindo o enfraquecimento das cascas dos ovos. Desta forma a reprodução foi comprometida. Só após a proibição do uso do pesticida e apoio de projetos de conservação a espécie conseguiu se recuperar.