Aves aquáticas resistem em ambientes adversos


Espécies endêmicas e migratórias dividem espaço às margens de rios e lagos, mesmo poluídos; algumas delas têm penas “adaptadas” até para o mergulho. Colhereiro é uma das aves aquáticas do Brasil.
Rudimar Narciso Cipriani
As aves compõem o grupo das muitas formas de vida que existem no ambiente aquático. Sejam migratórias ou residentes elas sempre encantam e são presença certa às margens de rios e lagos em praticamente todo o nosso país.
O ornitólogo Luciano Lima explica que várias espécies de aves aquáticas desenvolveram uma série de adaptações morfológicas que permitem se locomover e se alimentar com mais eficiência nos ecossistemas aquáticos. Entre essas adaptações podem ser citadas penas impermeáveis, as patas com membranas para facilitar o nado, pernas alongadas, asas que também facilitam a locomoção na água, bicos longos ou em formato de espátula e a capacidade de mergulho.
Espécies como o colhereiro , por exemplo, são consideradas indicadoras da boa qualidade ambiental, principalmente em relação à qualidade da água onde costuma buscar alimento. Isso porque o colhereiro é uma ave muito sensível e não resiste à poluição e à contaminação. Outro exemplo de uma ave aquática rara e bio-indicadora é o pato-mergulhão.
Pato-mergulhão é uma espécie criticamente ameaçada de extinção
Divulgação/Naturatins
No entanto existem outras espécies mais resistentes a um ambiente em degradação, vivendo até em córregos no meio de grandes cidades. Vale ressaltar que os ambientes aquáticos estão entre os ecossistemas mais ameaçados pela ação do homem, com a poluição de lixo residencial, industrial e até agrícola.
O Brasil é casa de centenas de aves aquáticas, sem contar as migratórias que costumam ficar nessas áreas alagadas durante sua “estadia” em nosso país, como é o caso da águia-pescadora.
Além dessas espécies mais raras, há aquelas que sempre estão na beira d’água, mas que também possuem suas curiosidades. Confira algumas delas:
Garça-branca-grande é clicada ajeitando a plumagem
João Neto/ Vc no TG
Garça-branca-grande (Ardea alba)
Essa ave aquática é considerada uma espécie cosmopolita, que está espalhada ao redor do globo, com exceção apenas da Antártica. No Brasil, ocorre em diversos ambientes, inclusive urbanos.
Chega a atingir 90 centímetros de comprimento, com uma envergadura das asas podendo medir até 170 centímetros. No período de reprodução ganham penas extrasm um conjunto comprido e reto que ornam o dorso do animal.
Essas penas “especiais” conhecidas como egretas fizeram com que a espécie fosse muito caçada para a indústria de chapéus durante o século XIX e início do XX. Hoje em dia a ave ainda é vítima, principalmente das linhas de pipa e pesca, além da degradação dos ambientes.
Martim-pescador-grande se alimenta de peixes, pequenos répteis e caranguejos
Marcio Varchaki/VC no TG
Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata)
Das cinco espécies de martim-pescador do Brasil, o martim-pescador-grande se destaca por ser, de fato, o maior do país atingindo 42 centímetros. É conhecido pelo bico longo e por um chamado estridente.
Apesar do casal ser parecido, as fêmeas possuem um peito com uma faixa cinza e em tons de azuis com a borda branca, enquanto no macho a região é toda avermelhada. Os dois se revezam no cuidado com os filhotes.
A espécie é sempre avistada em poleiros ou pairando sobre águas preferencialmente limpas, quando a ave calcula o próximo mergulho atrás da alimentação favorita: peixes.
A fêmea do irerê bota de 8 a 14 ovos, os quais o macho ajuda a chocar
Isabel Coradi/VC no TG
Irerê (Dendrocygna viduata)
Apesar de ser uma espécie muito comum no Brasil, o irêrê sempre chama a atenção pela beleza e também pelo canto típico muito alto e agudo. É conhecida por ser uma veloz voadora e se alimenta principalmente de plantas submersas e pequenos invertebrados aquáticos.
A fêmea é capaz de botar até 14 ovos que são cuidados por ambos os pais em ninhos construídos no chão. O irerê geralmente é encontrado em bandos, principalmente durante o período de migração.
Savacu ocorre em beiradas de rios, lagoas e lagos
Arquivo Terra da Gente
Savacu (Nycticorax nycticorax)
O savacu, também conhecido como socó-dorminhoco por passar grande parte do dia dormindo, aproveita a noite para sobrevoar lagos e rios atrás de peixes, anfíbios, crustáceos e outros pequenos invertebrados.
É muito esperto e aprendeu a se aproximar de pescadores em locais de pesca para garantir as sobras deixadas pelo homem. Porém esse comportamento também pode acabar o levando a acidentes com linhas de pesca e anzóis.
A jaçanã é uma das aves mais comuns nos brejos e margens de rios,
Rafael Grau/Arquivo Pessoal
Jaçanã (Jacana jacana)
Não posso ficar nem mais um minuto com você; Sinto muito amor, mas não pode ser; Moro em Jaçanã; Se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas; Só amanhã de manhã…
A ave, eternizada na canção de “Trem das onze” de Adoniram Barbosa, que dá nome a um importante bairro da cidade de São Paulo, ocorre amplamente no Brasil e em outros países da América do Sul.
Seu nome científico significa: do (tupi) pássaro muito alerta, pássaro muito barulhento. A jaçanã é uma das aves mais comuns em brejos e margens de rio com vegetação aquática abundante.
A agilidade dos dedos finos e longos permitem até que eles andem em cima de algumas plantas aquáticas. São muito territorialistas, vivem aos casais ou em pequenos grupos, sendo a fêmea maior do que o macho.