Black Flag: dois investigados de operação contra grupo que fraudava empréstimos se entregam à PF


Objetivo da quadrilha era sustentar os integrantes em um padrão de vida ‘cinematográfico’. Suspeitos vão permanecer presos e ficar à disposição da Justiça. Operação contra crimes financeiros prende mais dois investigados em Campinas
Duas pessoas investigadas pela Operação Black Flag, que apura a ação de um grupo suspeito de praticar crimes financeiros no valor total de 2,5 bilhões, se entregaram na manhã desta quinta-feira (13) à Polícia Federal de Campinas (SP), responsável pela investigação. Os dois homens vão ficar presos e permanecer à disposição da Justiça.
De acordo com a PF, a quadrilha fraudava empréstimos e financiamentos por meio de CPFs falsos e empresas de fachada para manter um “padrão cinematográfico” de vida, com a compra de veículos de luxo, imóveis, lancha, joias e tinha até patrocínio de esporte automobilístico.
Entenda em perguntas e respostas como a quadrilha agia
A operação foi deflagrada na terça-feira (11), junto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF). Foram expedidos, pela 1ª Vara Federal de Campinas, 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão em dez municípios de quatro estados do Brasil. Além disso, foi determinado o afastamento por 30 dias de um delegado da Polícia Federal do exercício do cargo por conta de uma “troca de informações”. Veja as cidades:
Fortaleza (CE)
Aquiraz (CE)
Brasília (DF)
Paraty (RJ)
Guarujá (SP)
São Paulo (SP)
Campinas (SP)
Valinhos (SP)
Indaiatuba (SP)
Sumaré (SP)
Dos 15 mandados de prisão expedidos, 12 foram cumpridos na terça-feira (dez em Campinas, um em Brasília e um em São Paulo). Com os dois investigados presos depois de se entregar nesta quinta, subiu para 14 o número de pessoas presas. Houve ainda o bloqueio de contas e investimentos no valor de R$ 261 milhões, sequestro de bens imóveis e congelamento de transferências de bens móveis.
Em Campinas, os mandados foram cumpridos em escritórios e residências. Durante as buscas, 20 carros de marcas de luxo, entre elas Porsche, Ferrari, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo, foram apreendidos e encaminhados à sede da PF na cidade. Em Paraty (RJ), lanchas também foram recolhidas.
Além dos veículos, foram apreendidos R$ 1,2 milhão em dinheiro, 302 joias, 97 relógios, 76 bolsas, 147 garrafas de vinho, 2 quadros, 27 celulares, documentos e uma caixa de RGs falsos que eram usados para abrir as empresas fictícias.
PF de Campinas encerra esquema de quadrilha que fraudava empréstimos
O esquema
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou há dois anos e as fraudes foram descobertas a partir de ações da Receita, que verificou “movimentações financeiras suspeitas”. Com a instauração do inquérito, a corporação descobriu “uma complexa rede de pessoas física e jurídicas fictícias” na região de Campinas responsável por movimentar o valor bilionário em operações financeiras.
Para proteger o patrimônio, foram criadas empresas do ramo metalúrgico para assumir a propriedade de bens e blindar o grupo de eventuais ações fiscais. Os créditos já apurados pela Receita Federal ultrapassam R$ 150 milhões. A origem dos recursos que iniciaram o sistema de fraude é pública, considerando que a primeira companhia fictícia obteve, em 2011, um contrato com a Desenvolve SP, uma agência de fomento econômico estatal, e outro com a Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 73 milhões.
O Banco Desenvolve SP afirmou que as ações investigadas foram realizadas há dez anos e que a atual diretoria colabora com as investigações.
Porsche foi apreendido durante a operação da PF nesta terça-feira em Campinas
Johnny Inselsperger/EPTV
Segundo a Receita Federal, a participação inclui um grande grupo de profissionais, como advogados e contadores, além de responsáveis por falsificação de documentos. Recentemente, o mentor da organização passou a atuar no ramo de energia solar e criou uma Offshore – empresa em país de baixa tributação – para justificar a origem do dinheiro.
Além de uma sequência de CPFs falsos emitidos pelo grupo para receber financiamentos e empréstimos de valores que chegaram a R$ 5 milhões para apenas uma pessoa, a organização também utilizava laranjas para conseguir fazer movimentações financeiras.
“Era uma ação repetida, eles multiplicavam os rendimentos ao criar empresas com CPFs falsos, todos com nome muito parecido, faziam negócios, conseguiam financiamentos, não pagavam impostos e não produziam nada. Foram criadas quatro empresas do grupo econômico e outras várias de fachada, que eram encerradas rapidamente”, explicou o auditor fiscal da Receita Federal, Maurício Gomes Zamboni.
O nome da operação, Black Flag (bandeira preta, em inglês), é uma alusão ao término das atividades ilegais da organização através da ação da polícia, assim como acontece na desclassificação de corredores automobilísticos que descumprem regras do regulamento e recebem a bandeirada preta. A referência é porque parte dos recursos dos desvios financiava o esporte automobilístico dos principais investigados.
Os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade ideológica e material e organização criminosa, de acordo com a PF.
Veja mais fotos das apreensões
Entre os carros apreendidos na Operação Black Flag, está uma Ferrari
Divulgação/Polícia Federal
Veículos de diversos modelos foram apreendidos durante a operação
Divulgação/Polícia Federal
Operação Black Flag apreendeu carros de luxo em quatro estados
Divulgação/Polícia Federal
Veículos de luxo foram apreendidos em Campinas na Operação Black Flag
Divulgação/Polícia Federal
Carros de luxo foram apreendidos durante operação em Campinas
Johnny Inselsperger/EPTV
Veículos de luxo foram apreendidos durante a operação Black Flag
Divulgação/Receita Federal
Polícia Federal cumpriu mandados em Paraty na Operação Black Flag
Divulgação/Receita Federal
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