Black Flag: último a se entregar, 'testa de ferro' confirma esquema de fraudes bilionário, diz PF


Aloísio Bannwart consta como sócio e responsável por diversas empresas envolvidas na investigação, segundo documento obtido com exclusividade pela EPTV; saiba quem são os envolvidos. Entenda atuação de ‘testa de ferro’ dentro de esquema bilionário de fraudes
Apontado pela investigação como um dos principais “testas de ferro” das empresas falsas criadas pelos investigados na Operação Black Flag, que apura um esquema bilionário de fraudes em empréstimos, o último suspeito a se entregar foi também o primeiro a prestar depoimento e confirmar o esquema, segundo a Polícia Federal.
O termo “testa de ferro” é utilizado para denominar proprietários de empresas cujos nomes são apenas uma “fachada” para que o real dono do negócio não seja exposto. De acordo com documentos obtidos com exclusividade pela EPTV, afiliada da TV Globo, Aloísio Bannwart consta como sócio e responsável por diversas companhias envolvidas na investigação.
Dois investigados de operação se entregam à PF
Ainda segundo o relatório do Ministério Público obtido pela reportagem, Aloísio atuava como procurador da empresa Sandylon, que seria uma off shore, ou seja, uma empresa aberta em territórios onde há menor tributação, com sede no Panamá. A empresa era usada para movimentar o dinheiro da organização criminosa, que mais tarde seria sacado por laranjas.
Veículos de luxo foram apreendidos durante a operação Black Flag
Divulgação/Receita Federal
Movimentações milionárias
Além de Aloísio, a investigação aponta mais três pessoas utilizadas como “testas de ferro” por Rodolfo Portilho Toni, empresário suspeito de chefiar a quadrilha. Soniel Simei Guelfi, por exemplo, movimentou R$ 70 milhões entre 2010 e 2012, sendo 96% remetidos pela empresa Lionfer Comercial. Todos os saques foram feitos com cartões.
Entenda em perguntas e respostas como a quadrilha agia
Já nas contas de Joel Ferreira do Vale, o relatório aponta a circulação de quase R$ 60 milhões no mesmo período, também provenientes da Lionfer Comercial. O mesmo valor foi movimentado nas contas de Luiz Miguel Pedroso e Luiz Miguel Pedroso Filho; as contas de pai e filho, porém, possuem rendimentos modestos, e teriam sido utilizadas apenas como “meio para a dissimulação dos valores”.
Ainda segundo o relatório, o esquema começou em 2010, com um empréstimo solicitado no Desenvolve São Paulo, agência de fomento do estado, no valor de R$ 69 milhões. No ano seguinte, a quadrilha conseguiu outro empréstimo, de R$ 2,5 milhões, desta vez na Caixa Econômica Federal.
Agentes apreenderam R$ 1,2 milhão em espécie na casa de um dos investigados
Polícia Federal/Divulgação
Demais envolvidos
De acordo com a representação do MP, a suspeita é de que a quadrilha seja chefiada por Rodolfo Portilho Toni, empresário e piloto de Fórmula Porsche. A equipe dele tinha como patrocinadora a empresa New Energies, que atua no ramo de energia e é uma das investigadas no esquema.
Imagens exclusivas mostram vida de luxo dos investigados
Mayara Bianchi, que era casada com Rodolfo, também correu na Fórmula Porsche e foi a primeira mulher a participar da modalidade. Segundo o relatório do MP, ela recebeu mais de R$ 3 milhões no esquema entre 2010 e 2012. O casal teria articulado um aumento fictício do capital da empresa Lionfer, do ramo metalúrgico, com sede em Sumaré (SP).
O relatório do MP também aponta a participação de Aedi Cordeiro dos Santos, contador e administrador da empresa JJA Assessoria Fisco Contábil, como gestor dos CPFs falsos. Segundo a representação, ele criou pessoas físicas e jurídicas falsas e é apontado como parceiro de Rodolfo nas fraudes.
Nesta sexta-feira (14), mais dois veículos de luxo, sendo uma Porsche e um Mercedes Benz esportivo, foram apreendidos pela PF. Além disso, um dos investigados, que era responsável pela produção dos documentos falsos, apresentou uma CNH falsa durante o interrogatório e foi preso em flagrante.
PF apreendeu mais dois carros durante a Operação Black Flag
Polícia Federal/Divulgação
O que dizem os citados?
Em nota, a empresa New Energies informou que não é alvo de investigação pela Polícia Federal e ressaltou que “não tem qualquer envolvimento com os fatos investigados, datados de antes do início das atividades do Grupo Newen. A gestão da empresa é feita por quadro de profissionais de reputação no setor financeiro e energético e o grupo conta com normas próprias de compliance”.
Já o advogado da JJA Assessoria Fisco Contábil informou que a empresa e o proprietário, Aedi Cordeiro dos Santos, não têm relação com as ilegalidades apontadas pela investigação. Ele alega que os clientes contrataram a JJA pra dar uma aparência legal aos crimes.
O spa Kalmma, por sua vez, informou que o mandado cumprido na Av. José Bonifácio, 2.510, no Jardim das Paineiras, foi especificamente para a sala 8, onde uma das empresas supostamente envolvidas no caso subloca o espaço do Kalmma Spa Paineiras.
“Em relação à visita da PF na unidade Kalmma Spa Cambuí, corresponde ao fato de que um dos supostos envolvidos no caso, no passado foi sócio da unidade, tendo há quase quatro anos saído do quadro societário”, complementa o texto.
A reportagem tentou entrar em contato com a defesa dos demais citados, mas não conseguiu retorno até esta publicação.
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