Campinas confirma barreira sanitária e diz que evitar aglomerações no feriado pode impedir 3ª onda da Covid


Diretora do Devisa diz que números estão estáveis, mas que aumento da transmissão por possíveis aglomerações no feriado de Corpus Christi pode prejudicar enfrentamento da pandemia. O prefeito de Campinas, Dário Saadi
Carlos Bassan / PMC
A Prefeitura de Campinas (SP) confirmou, na tarde desta terça-feira (1º), implantação de barreiras sanitárias e ações de fiscalização em conjunto com os outros 19 municípios da região metropolitana durante o feriado de Corpus Christi. Na avalição da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, se as médias e grandes aglomerações não ocorrerem, “são grandes as chances de a cidade atravessar com êxito esse período”, evitando uma terceira onda da Covid-19.
Campinas tem mais 22 mortes e chega a 3.352 vidas perdidas
UTI Covid: Campinas tem 100% de ocupação no HC e fila salta para 18 pacientes
Em coletiva on-line, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) destacou que o município está “no limite” e que um aumento de casos e internações causariam uma enorme sobrecarga no sistema de saúde.
“Agradeço a população que segue as normas, que não aglomera, usa máscara. Mas tenho que pedir que uma parcela pequena comece a cumprir. Ninguém gosta de fazer live anunciando medida restritiva, mandando fechar segmentos. É muito dolorido. Por isso precisamos da colaboração para evitar medidas mais duras”, disse.
Segundo a diretora do Devisa, os indicadores utilizados para determinar medidas de enfrentamento da pandemia na metrópole apresentam certa estabilidade nas últimas quatro semanas, com pequena tendência de alta. Entretanto, na avaliação de Andrea, se não houver aglomerações durante o feriado prolongado, principalmente em locais fechados, apontados como os de maior risco para transmissão do coronavírus, a cidade pode ter êxito em controlar a transmissão.
“Nossos indicadores precoces estão estáveis, não há nada que mostre uma explosão de casos, mas isso tudo mudo se tiver uma entrada de nova cepa, aumento da transmissão”, explica.
Barreiras sanitárias
Para tentar frear a circulação de pessoas e eventuais aglomerações e festas clandestinas, os 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) vão implantar, de quinta-feira (3) a domingo (6) barreiras sanitárias nas cidades.
Secretário de Segurança Pública, Christiano Biggi Dias explicou que uma reunião na manhã desta quarta-feira (2), com os titulares das pastas de todos os municípios e os comandos das polícias Civil e Militar irão definir as estratégias de atuação.
Em Campinas, a fiscalização contra pancadões e aglomerações, que conta com ação da Guarda Municipal, será intensificada. Somente no último final de semana de maio, a corporação atendeu 371 solicitações de perturbação de sossego e descumprimento de medidas sanitárias, além de 39 de pancadões, com dispersão de 5,2 mil pessoas.
“A gente pede encarecidamente que esses momentos, essas reuniões, não aconteçam. Não é só o estabelecimento estar aberto, irregular. Tem pessoas lá, existe essa demanda. Ninguém faz com gosto essas fiscalizações, mas é importante que todos tenham bom senso para que não ocorra uma regressão de fase”, pontuou Dias.
Mais leitos
Com vagas disponíveis em UTIs Covid apenas para gestantes na rede municipal de Saúde e 100% de ocupação no HC da Unicamp, Campinas enfrenta forte pressão por leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Presidente da Rede Mário Gatti de Urgência e Emergência, responsável por administrar os hospitais municipais e pronto atendimentos, Sérgio Bisogni explicou que Campinas irá ativar mais leitos nesta sexta-feira (4), dentro do Hospital Metropolitano.
Serão mais nove de enfermaria, totalizando 25, e a ativação de 15 vagas de UTI exclusivas para Covid.
“As internações continuam plenas, com alta tanto nas enfermarias quanto UTIs, além do agravante no aumento de número de pacientes não Covid. É uma situação administrada, mas que merece atenção. Estamos com as luzes amarelas acessas, pendendo para a vermelha”, diz Bisogni.
Fase de transição
Durante a coletiva, o secretário de Justiça, Peter Panutto, esclareceu que a prefeitura publicou nesta terça um novo decreto apenas formalizando a manutenção das regras da fase emergencial, que permite a abertura das atividades das 6h às 21h, com 40% da capacidade, até o dia 13 de junho.
“O decreto segue na totalidade a regra do estado, mas a manutenção vai depender do acompanhamento dos números. Se houver um apontamento de crescimento, o prefeito pode determinar um decreto mais restritivo antes do dia 13 de junho”, alertou.
Calamidade pública
Durante a transmissão, Panutto também explicou a publicação, nesta quarta-feira (2), de um novo decreto municipal de calamidade pública. A medida, segundo o secretário de Justiça, ocorre por caráter burocrático, para que o prefeito tenha respaldo nas ações de enfrentamento da pandemia sem infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Na prática, o decreto permite que o governo atue com maior flexibilidade fiscal e até descumpra metas previstas em orçamento, desde que comprove a necessidade de direcionar mais recursos para ações com objetivo de reduzir a transmissão do novo coronavírus, evitar colapso do sistema de saúde, além de garantir proteção aos profissionais da linha de frente e assistência aos pacientes infectados.
Depois da publicação, a Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) é oficiada para homologar o decreto. O secretário-geral da OAB Campinas, Paulo Braga, explica qual a importância da medida – veja vídeo abaixo.
Secretário-geral da OAB Campinas explica importância do decreto de calamidade pública
VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias da região no G1 Campinas