Campinas é selecionada para participar da fase 3 da vacina indiana Covaxin


Em todo o estado de São Paulo, 3 mil voluntários devem ser escolhidos. Imunizante é feito com vírus inativado e estudo preliminar apontou eficácia geral de 78% em sintomáticos e 100% em casos graves. Que vacina é essa? Covaxin
Campinas (SP) está entre as cidades brasileiras selecionadas para a fase 3 de testes da vacina indiana Covaxin. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (14). O imunizante é mais uma opção no combate à Covid-19 e é produzido por uma farmacêutica indiana, a partir do vírus inativado.
Estudos preliminares apontaram eficácia geral de 78% em sintomáticos e 100% em casos graves. A vacina foi aprovada para uso emergencial na Índia no começo do ano e teve a etapa autorizada no Brasil nesta quinta (13) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ao G1, a empresa Precisa Medicamentos, parceira do laboratório da Índia Bharat Biotech e quem solicitou os testes da Covaxin à Anvisa, e informou que a etapa já tem condições de começar, mas ainda não há um prazo para início do cadastro de voluntários e informações sobre como será a testagem em Campinas.
Foi contratado o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), em São Paulo, para a coordenação da fase 3 no Brasil. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da Prefeitura de Campinas disse que não foi informado ainda sobre a testagem no município.
Quem serão os voluntários
Pessoas a partir de 18 anos de idade
Saudáveis ou com doenças crônicas estáveis
Trabalhadores de diversas profissões
Homens e mulheres que não receberam nenhuma vacina da Covid-19
Covaxin é produzida pela indiana Bharat Biotech
Reprodução/Instagram/Bharat Biotech
4,5 mil voluntários no Brasil
A previsão do estudo é aplicar doses – que podem ser um placebo ou a vacina em si – em 4,5 mil voluntários, no mínimo, no país, sendo 3 mil deles no estado de São Paulo.
As cidades já confirmadas são Campinas, São José do Rio Preto e a capital paulista. Também integram a lista de municípios brasileiros Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS). Em todo o mundo são cerca de 30 mil pessoas.
“O estudo prevê a aplicação de duas doses, com 28 dias de intervalo. O recrutamento será iniciado após a aprovação final pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). […] O estudo será randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e multicêntrico para avaliar a eficácia, a segurança e a imunogenicidade do imunizante contra a COVID-19 em adultos com idade igual ou superior a 18 anos”, informou a empresa.
Profissional de saúde aplica a Covaxin em homem em Nova Délhi, na Índia, no dia 25 de março
Sajjad Hussain / AFP
Certificado no Brasil
No Brasil, a Covaxin ainda não conseguiu a certificação de boas práticas, emitido pela Anvisa. Entre os problemas apontados estão questões sanitárias, de controle de qualidade e de segurança na fabricação da vacina.
A certificação é um dos requisitos para o registro de um medicamento ou uma vacina no Brasil. Farmacêuticas como a Pfizer, a Janssen, do grupo Johnson, a Sinovac, que desenvolveu a CoronaVac, e a AstraZeneca, responsável pela produção da vacina de Oxford, já receberam a certificação da Anvisa.
A negativa da agência reguladora afeta o cronograma de doses previstas pelo Ministério da Saúde, que assinou um acordo para compra de 20 milhões de doses da Covaxin em fevereiro.
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