Campinas fica no 'azul', mas abril registra pior resultado do ano na geração de emprego com carteira


Dados do Caged mostram que metrópole fechou mês com 203 vagas criadas. Economista da PUC destaca impacto da pandemia e diz que desempenho não foi pior por conta da reedição do programa de suspensão e redução de jornada. Carteira de trabalho; emprego
Gilson Abreu/AEN
Campinas (SP) registrou em abril o pior resultado na geração de empregos com carteira assinada em 2021. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo governo federal nesta quarta-feira (26), mostram um saldo positivo de 203 vagas. Na avaliação da economista Eliane Navarro Rosandiski, da PUC-Campinas, um desempenho “tímido”, mas que “poderia ser pior” não fosse a reedição do programa de suspensão e redução de jornada.
O relatório de abril mostra um número elevado de postos de trabalho fechados no comércio (-432), especialmente o varejista na área de vestuário e acessórios (-178). Dados da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) apontam queda de 9,5% do faturamento do setor na comparação com abril de 2020.
Já o setor de serviços, apesar do resultado positivo de 409 postos formais criados, apresenta grandes oscilações. Enquanto as áreas de alimentação (-343) e alojamento (-53) fecharam vagas em abril, o setor de tecnologia da informação segue contratando. Foram 293 novos contratos no mês.
Para a professora da PUC, os dados refletem bem os impactos da pandemia. Enquanto a queda no consumo e as medidas de distanciamento afetam alguns comerciantes e prestadores de serviço, as contratações no setor de tecnologia estão atreladas as estratégias de empresas para sobreviver nessa nova realidade.
Segundo Eliane Rosandiski, o saldo do mês em Campinas só não foi negativo por conta da reedição do programa que permite a redução da jornada e a suspensão dos contratos de trabalho no final de abril. Somente nos três primeiros dias de vigência, entre 28 e 31 do último mês, 1.511 contratos aderiram à medida na metrópole.
“Do ponto de vista do mercado de trabalho, a medida é importante para a manutenção do nível de emprego. Mas continuamos com redução da massa salarial e isso torna mais tímida a geração de novos empregos. Se por um lado os números não caem definitivamente, por outro não está se criando um cenário favorável para a retomada dos empregos”, analisa a economista.
Os números do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM) mostram que, até esta quarta, 14,5 mil contratos de trabalho aderiram a medida. A maior parcela dos empregadores (6.316) optou pela suspensão da jornada, seguido da redução de 70% do salário e da jornada (3.665).
Na avalição da economista da PUC, os impactos dessas ações do governo federal, como o BEM e a volta do Auxílio Emergencial, com valores abaixo de 2020, serão menores que os registrados no primeiro ano da pandemia.
“Houve um empobrecimento da classe média. Muitos ficaram com o emprego protegido, mas com salário flexibilizado, o que interfere no poder de compra. Nas classes mais baixas, com o valor do auxílio reduzido, o consumo é principalmente de itens básicos. Esse padrão de consumo afeta diversos setores e lojas. Até os mercados sentem o impacto”, explica Eliane.
A professora e economista Eliane Navarro Rosandiski em foto de 2019
Vaner Santos/EPTV
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