Campinas gasta R$ 4,1 milhões com compra de vagas em UTIs e enfermarias no mês mais letal da pandemia


Valor se refere a 40 postos de terapia intensiva e 35 de retaguarda em hospitais particulares da metrópole, além de 25 leitos de hospedagem. Montante é 22,3% maior do que o desembolsado pela prefeitura em fevereiro. Redes particular e privada de Campinas enfrentaram superlotação nos leitos de UTI Covid em março
Reprodução/EPTV
Os cofres públicos de Campinas (SP) desembolsaram R$ 4,1 milhões em março no pagamento de leitos comprados de hospitais privados para tratamento de pessoas com a Covid-19, um valor 22,3% maior do que o gasto em fevereiro. Março foi, até agora, o mês mais letal da pandemia, com 630 das 3.176 mortes registradas na metrópole.
Também foi o período mais crítico em oferta de leitos. Mais dois contratos com instituições hospitalares particulares foram feitos, a prefeitura incorporou as vagas do Hospital Metropolitano por meio de uma requisição judicial, decretou fase vermelha no município, depois a severa fase emergencial, voltou a contar com o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e não foi suficiente.
A alta demanda de casos graves resultou em fila de espera de cerca de 200 pacientes por vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias para tratar coronavírus. O colapso da saúde visto em Campinas foi a mesma realidade de outras cidades espalhadas pelo Brasil.
100 vagas pagas
O valor de R$ 4.162.278,36 foi pago referente ao uso de 40 vagas de UTI, 35 de enfermaria e 25 de hospedagem – alternativa usada pela prefeitura para aqueles pacientes que moravam em hospitais antes da pandemia.
Além de superar fevereiro, o gasto foi mais alto que o de janeiro, dezembro e novembro passados. Mas, ficou atrás de outubro, quando R$ 5,1 milhões foram desembolsados pela prefeitura para a mesma finalidade. Veja o histórico dos gastos mês a mês com a compra de leitos na pandemia abaixo:
O Hospital Metropolitano fez parte da lista de contratos pagos no ano passado, mas o procedimento da requisição administrativa realizado este ano diante da falta de vagas na rede particular foi a solução encontrada pela Secretaria de Saúde para ampliar a oferta de leitos. A medida é usada em casos de “iminente perigo público” e a gestão ficou a cargo da Rede Mário Gatti.
Atualmente, a prefeitura tem 11 contratos com os hospitais Irmandade da Misericórdia, Beneficência Portuguesa, Casa de Saúde, PUC-Campinas e a Hospedagem Ágape.
444 leitos totais de UTI
Somando as vagas de terapia intensiva nas redes pública e privada, março chegou a ter 444 leitos de UTI, o maior número de leitos de terapia intensiva, até então, desde o início da pandemia. Além das vagas do Sistema Único de Saúde (SUS), hospitais privados também enfrentaram lotação.
A ocupação dos leitos para pacientes graves de Covid-19 saltou de 263 em 1 de março para 434 internados no dia 26, e a fila de espera por UTI se arrastou pelo mês de abril até a segunda semana de maio.
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