Campinas tem alta de 104% no número de casos de dengue em 3 semanas


Boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (8) aponta 529 registros positivos para a doença, contra os 259 do balanço de 17 de março. Total é inferior ao computado no mesmo período em 2020. Entenda a alta de casos de dengue em Campinas na transição do verão para o outono
A Secretaria de Saúde de Campinas (SP) registrou um aumento de 104% no número de casos confirmados de dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, nas últimas três semanas. São 529 casos até esta quinta-feira (8), contra 259 até 17 de março. Não houve mortes provocadas pela doença.
A incidência de registros, segundo o Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa), está em 43 casos por 100 mil habitantes. Em meados de março, o índice era de 21. Veja, abaixo, como tem ocorrido o crescimento dos infectados pelo vírus da dengue e as regiões mais afetadas.
O total, no entanto, é inferior ao registrado na metrópole no mesmo período do ano passado – início da pandemia da Covid-19. De 1 de janeiro a 13 de abril de 2020, a cidade tinha contabilizado 1.703 pessoas com dengue. Até o fim de 2020 foram 3.965 infectados, com uma morte.
Dengue na quarentena contra Covid-19
Diferentemente da realidade nos primeiros meses de 2020, os moradores estão mais confinados neste início de ano por conta da fase emergencial do Plano São Paulo para conter o avanço do coronavírus.
Coordenadora do Programa Municipal de Controle de Arboviroses, Heloísa Malavasi acredita que o controle de criadouros do mosquito transmissor da dengue pode ser mais eficaz com as pessoas em casa.
“O período de confinamento não interfere diretamente na dinâmica da dengue, pois não é uma doença de transmissão pessoa a pessoa. Esse aumento é decorrente da sazonalidade da doença, relacionada a fatores climáticos – chuva e altas temperaturas – e disponibilidade de criadouros”, explica.
O mosquito Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, zika e chikungunya em regiões urbanas do Brasil
João Paulo Burini/Getty Images via BBC
A eliminação dos focos de ovos do Aedes deve ocorrer uma vez por semana, interrompendo o ciclo de vida do mosquito, para garantir que não haja proliferação.
“O fato das pessoas estarem mais em casa poderia ser aproveitado para estabelecer uma rotina de inspeção semanal e eliminação de potenciais criadouros”, conclui.
A Prefeitura de Campinas mantém um programa de controle e prevenção da doença por meio do Comitê de Prevenção e Controle das Arboviroses. Segundo o Devisa, 80% dos criadouros estão dentro de casa.
Agentes trabalham diariamente nos bairros orientando os moradores e localizando possíveis criadouros.
Casos por região e Centros de Saúde com mais registros
Sudoeste: 152 (70 por 100 mil habitantes)
Noroeste: 106 (58 por 100 mil habitantes)
Sul: 92 (28 por 100 mil habitantes)
Norte: 91 (40 por 100 mil habitantes)
Leste: 88 (34 por 100 mil habitantes)
Criadouro do mosquito transmissor da dengue
Reprodução/EPTV
Em primeiro lugar, a região Sudoeste registrou 57 dos 152 infectados por dengue no Centro de Saúde (CS) São Cristóvão e outros 43 no CS Santos Dumont.
Na região Noroeste, 34 casos se concentraram no CS Dr. Pedro Agápio de Aquino Netto – Balão do Laranja. Em seguida, CS Ipaussurama teve 19 registros.
A região Sul teve mais positivos no CS Carvalho de Moura, 44. Depois dele, o CS Paranapanema surge com 10 diagnósticos.
Na região Norte, o Centro de Saúde San Martin concentrou o maior número de confirmações, 37. Em seguida, aparece o CS Anchieta, com 17.
A região Leste teve 33 casos confirmados no CS Taquaral e 22 no CS Sousas.
Agentes de saúde fazem visitas em Campinas para orientações sobre prevenção à dengue.
Reprodução/EPTV
Dicas de prevenção
Remover latas, pneus e outros objetos que possam acumular água.
Vasos de plantas aquáticas devem ter a água trocada semanalmente.
Pratinhos dos vasos devem ser eliminados.
Vedar a caixa d’água e limpar a calha.
Vasos sanitários que não estão sendo usados devem ficar fechados, assim como os ralos.
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