Campinas tenta contratar leitos de UTI Covid-19 na rede privada, mas recebe negativas de hospitais diante de aumento em demanda


Saúde enviou ofícios às unidades para manifestar interesse em acordos, mas respostas vetaram a possibilidade. Com rede sob pressão, Executivo garante que abrirá 15 leitos no Metropolitano. Campinas tenta contratar leitos de Covid-19, mas recebe negativas
Reprodução/TV Globo
Com a rede municipal de saúde sob pressão diante dos aumentos de internações por Covid-19 e atendimentos a pacientes com suspeita da doença, Campinas (SP) tem recebido respostas negativas às tentativas de contratar novos leitos de UTI para pacientes infectados junto aos hospitais particulares. Em contrapartida, a prefeitura garante que terá mais estruturas no Hospital Metropolitano, que é particular, mas está sob gestão municipal desde março após requisição mantida pela Justiça.
A prefeitura destaca que ofícios foram enviados aos oito hospitais particulares na semana passada para manifestar o interesse em acordos, dos quais seis já responderam sobre a impossibilidade de ofertar mais leitos neste momento, diante do aumento na demanda de pacientes.
Dos hospitais que responderam, três vão manter o mesmo número de leitos contratados atualmente, um informou que vai reduzir e dois não têm condições de oferecer leitos neste momento”, diz nota da Secretaria de Saúde. A redução prevista por uma destas unidades não foi confirmada pela prefeitura, uma vez que há negociações em andamento.
Campinas tem 54 leitos de UTI contratados junto aos hospitais para enfrentamento à pandemia. Ela paga R$ 2,4 mil por estrutura ocupada e, caso ela esteja livre, o desembolso é 70% deste valor.
A metrópole somava até 16h35 desta quinta-feira (27) quatro leitos de terapia intensiva (UTI) Covid-19 disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), considerando-se as redes municipal e estadual – veja abaixo detalhes. Desde o início da crise sanitária a cidade soma 101,3 mil infectados e 3.310 mortes.
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Cenário da saúde
Até esta tarde, o Sistema Único de Saúde (SUS) municipal apresentava taxa de ocupação estimada em 97,99% para UTIs Covid-19, além de 12 pacientes na fila de espera por uma estrutura deste tipo. Já pela rede estadual, o Hospital de Clínicas da Unicamp (HC) e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), adaptado como hospital de campanha, têm, cada um, somente um leito livre disponível.
Já a rede particular tem índice de uso estimado em 81,64%. Veja abaixo detalhes.
Leitos de UTI (Covid-19)
Os leitos estão divididos da seguinte forma, em números absolutos:
SUS municipal: 149 leitos, dos quais 146 estão ocupados. Há 3 leitos livres.
HC da Unicamp: 40 leitos, dos quais 39 estão ocupados. Há 1 leito livre.
Particular: 207 leitos, dos quais 169 estão ocupados. Há 38 leitos vagos.
AME: 25 leitos, dos quais 24 estão ocupados. Há 1 leito livre.
O que será feito?
A Rede Mário Gatti prevê abrir mais 15 leitos de UTI no Hospital Metropolitano a partir de 3 de junho, e diz que será responsável por insumos e equipe de apoio. A medida ocorre após um alerta do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) sobre indicadores das últimas três semanas:
Casos de síndrome respiratória atendidos (pacientes com suspeita de Covid-19) – alta de 36%;
Total de internados em UTIs/enfermarias – passou da faixa de 600 para 750;
“O investimento em prestação de serviços na área médica e multiprofissional será de R$ 5.249.121,48 por 90 dias”, destaca a assessoria ao mencionar que a contratação já foi publicada em Diário Oficial.
Além disso, o governo municipal admitiu dificuldades para levar adiante a proposta de retomar o Hospital de Campanha na sede do Patrulheiros, que agora é tratada como “última das últimas opções”. Apesar do anúncio realizado no mês de março, a prefeitura abriu três licitações para contratar uma empresa para administrar a unidade, mas elas terminaram sem manifestação de interesse.
Evolução
Veja abaixo gráfico que mostra a situação de leitos da metrópole. A partir de 2021, ele desconsidera dados do AME, que temporariamente voltou a ter leitos de UTI para Covid-19 em 27 de março.
Acompanhe no gráfico abaixo a fila de pacientes com Covid-19 à espera de leitos em Campinas, tanto de UTI quanto de enfermaria, segundo dados da prefeitura. Eles são divulgados desde 18 de março.
Em meio à segunda onda da pandemia, a metrópole registrou demanda superior à capacidade desde o primeiro dia de registro até 4 de maio. No dia 5, foi zerada, mas dois dias depois voltou a ser registrada. A fila foi eliminada pela segunda vez dia 12, contudo, em 18 de maio voltou a ser contabilizada.
Leitos de enfermaria ocupados
Redes municipal e particular: 375
HC da Unicamp: 30
AME: 4
Dados da Fundação Seade atualizados nesta quinta indicam que as internações no Departamento Regional da Saúde (DRS VII), que tem sede em Campinas e abrange 42 municípios, aumentaram 16,7% na última semana. A atualização mostra 275 novos pacientes hospitalizados e destaca que as UTIs têm ocupação média de 75,1%, enquanto enfermarias registram patamar de 58,7%.
Os municípios integrantes deste grupo são: Águas de Lindóia, Americana, Amparo, Artur Nogueira, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Cabreúva, Campinas, Campo Limpo Paulista, Cosmópolis, Holambra, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jaguariúna, Jarinu, Joanópolis, Jundiaí, Lindóia, Louveira, Monte Alegre do Sul, Monte Mor, Morungaba, Nazaré Paulista, Nova Odessa, Paulínia, Pedra Bela, Pedreira, Pinhalzinho, Piracaia, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Serra Negra, Socorro, Sumaré, Tuiuti, Valinhos, Vargem, Várzea Paulista e Vinhedo.
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