Carros importados, diamantes e vinhos de R$ 8 mil: veja vida de luxo dos investigados na Operação Black Flag


Registros obtidos pela EPTV mostram padrão de vida ‘cinematográfico’ dos suspeitos. Quadrilha mantinha rotina luxuosa por meio de fraudes em empréstimos e financiamentos, segundo a PF. Veja imagens da vida ‘cinematográfica’ de quadrilha que movimentou R$ 2,5 bilhões
Carros importados, vinhos que custam a partir de R$ 8 mil, lanchas e joias. Registros obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram com exclusividade o padrão de vida “cinematográfico” dos investigados pela Operação Black Flag, que apura crimes financeiros no valor total de R$ 2,5 bilhões.
As imagens mostram a casa de alto padrão em Valinhos (SP) onde morava um dos suspeitos de integrar a quadrilha. Nas buscas realizadas no local, a Polícia Federal encontrou diamantes e outras joias, além de R$ 1,2 milhão em espécie dentro de um cofre. Na coleção de vinhos, há garrafas que custam a partir de R$ 8 mil.
Entenda em perguntas e respostas como a quadrilha agia
Já em Paraty (RJ), a PF apreendeu uma lancha avaliada em quase R$ 5 milhões, que teria sido comprada com o dinheiro obtido no esquema. A denúncia consta no relatório de mais de 1.100 páginas do Ministério Público obtido pela reportagem, que embasou os 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão cumpridos em 10 cidades e quatro estados brasileiros.
Ainda segundo o relatório, o esquema começou em 2010, com um empréstimo solicitado no Desenvolve São Paulo, agência de fomento do estado, no valor de R$ 69 milhões. No ano seguinte, a quadrilha conseguiu outro empréstimo, de R$ 2,5 milhões, desta vez na Caixa Econômica Federal.
Investigados tinham padrão de vida ‘cinematográfico’, segundo a Polícia Federal
Reprodução/EPTV
Ostentação sobre rodas
De acordo com a representação do MP, a suspeita é de que a quadrilha seja chefiada por Rodolfo Portilho Toni, empresário e piloto de Fórmula Porsche. A equipe dele tinha como patrocinadora a empresa New Energies, que atua no ramo de energia e é uma das investigadas no esquema.
Em uma foto obtida pelo reportagem, Rodolfo aparece ao lado do piloto e sócio João Paulo Escudeiro Mauro, também preso na operação. Com sede na capital paulista, e empresa New Energies também possuía uma sala no condomínio de escritórios Spot Galleria, onde a PF cumpriu mandados de busca.
Piloto de Fórmula Porsche é apontado como um dos integrantes da quadrilha
Reprodução/EPTV
Mayara Bianchi, que era casada com Rodolfo, também correu na Fórmula Porsche e foi a primeira mulher a participar da modalidade. Segundo o relatório do MP, ela recebeu mais de R$ 3 milhões no esquema entre 2010 e 2012. O casal teria articulado um aumento fictício do capital da empresa Lionfer, do ramo metalúrgico, com sede em Sumaré (SP).
O patrimônio da empresa passou de R$ 16 mil para R$ 2 milhões, o que teria mostrado a capacidade financeira de quitar os empréstimos nos bancos públicos. Outra estratégia foi usar ex-funcionários como “testas de ferro” das empresas, incluindo até mesmo familiares de Rodolfo. Os pais do empresário foram presos, suspeitos de também participar do esquema.
Veja lista de integrantes da quadrilha que movimentava bilhões
Paraísos fiscais
De acordo com o relatório da investigação, para movimentar o dinheiro e despistar a Receita, foram criadas empresas fantasmas como a AT&T do Brasil Investimentos e Participações, cujo endereço consta como Rua José Bonifácio, 2.510, no Jardim das Paineiras, onde funciona o spa Kalmma.
A PF cumpriu mandados de busca nas duas unidades do spa, tanto no Jardim das Paineiras quanto no Cambuí. A investigação mostra ainda que o dinheiro fraudulento foi usado na criação de uma off shore, ou seja, uma empresa aberta em territórios onde há menor tributação. Identificada como Sandylon Investments, a entidade ajudava a reintroduzir o dinheiro enviado para fora do país.
O saque no caixa do dinheiro obtido nas fraudes geralmente era feito por funcionários e ex-funcionários das empresas, os laranjas. Um motorista, por exemplo, movimentou mais de R$ 60 milhões, segundo a Receita Federal.
Garrafas de vinho encontradas na casa de um dos suspeitos custavam a partir de R$ 8 mil
Reprodução/EPTV
CPFs falsos
O relatório do MP também aponta a participação de Aedi Cordeiro dos Santos, contador e administrador da empresa JJA Assessoria Fisco Contábil, como gestor dos CPFs falsos. Segundo a representação, ele criou pessoas físicas e jurídicas falsas e é apontado como parceiro de Rodolfo nas fraudes.
A esposa do contador, Cleonice Rodrigues Gomes, também foi presa e apontada como coautora na abertura das empresas. Em um dos vídeos obtidos pela reportagem, Aedi Cordeiro aparece como anfitrião de uma festa luxuosa que teve como tema “uma noite em Las Vegas”.
As acusações da investigação envolvem crime contra o sistema financeiro, ordem tributária, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Todos os itens apreendidos, incluindo 18 carros de luxo, vão permanecer à disposição da Justiça e podem, inclusive, ser utilizados para quitar as dívidas da quadrilha.
A reportagem tentou entrar em contato com a defesa dos citados, mas não conseguiu retorno até esta publicação.
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