Com 100 mil imóveis irregulares, expectativa de documentação cai pela metade em Campinas


Pandemia restringiu visitas presenciais dos técnicos e dificultou o levantamento de dados, segundo a Cohab. Estimativa é de que 10 mil casas sejam regularizadas ainda neste ano. Com cerca de 100 mil imóveis irregulares em 270 bairros, a expectativa de novas regularizações em Campinas (SP) caiu pela metade neste ano, segundo dados da Companhia de Habitação Popular (Cohab). Em 2020, a estimativa da empresa era de emitir documentações para 20 mil imóveis; neste ano, somente 10 mil devem ter a titularidade concluída.
Apesar da previsão da Cohab, somente 9.700 imóveis foram regularizados no ano passado, um queda de 51,5% entre a programação inicial e o balanço final. Em 2021, a empresa emitiu novos documentos para 2.111 residências, o que representa 21,1% do total previsto.
Segundo a companhia, a demora se deve principalmente à pandemia, que prejudicou as visitas técnicas e o levantamento de dados em campo. De acordo com Marcelo Ferreira Silva, assessor do diretor presidente da Cohab Campinas, não há previsão para encerramento da fila por documentação na metrópole.
“É a entrevista que as assistentes sociais fazem com a comunidade para atribuir a propriedade na regularização fundiária e, portanto, esse trabalho paralisou nesse período […] Eu não consigo te falar se vamos conseguir zerar o problema da regularização no município nessa administração. São trabalhos que vão perdurar por alguns anos ainda”, admitiu.
Mapa mostra áreas irregulares na metrópole; em verde estão os loteamentos em áreas particulares e, em roxo, em áreas públicas
Reprodução/EPTV
Rotina de insegurança
Moradora do Núcleo Residencial Getúlio Vargas há mais de 50 anos, a aposentada Angélica Borges é uma das pessoas na fila pela regulamentação e afirma viver uma rotina de insegurança, podendo ser expulsa da própria casa a qualquer momento.
“Eu morava num barraquinho, alugando uns pedaços, e nesse tempo a gente foi lutando, lutando, e só naquela esperança. Você fica com a cabeça ruim, quando deita na cama põe tudo na cabeça. Gente, se alguém chegar aqui e falar ‘você vai ser despejado’, pra onde que eu vou?”, desabafa.
Mara Araújo, presidente da associação de moradores do bairro, acompanha a luta dos moradores pela documentação das residências desde a década de 1960. Assim como os vizinhos, ela também reside em um loteamento irregular.
“Nós não temos como provar que somos donos dos nossos imóveis. A gente fica na angústia e fica na espera”, afirma.
Moradores aguardam regularização fundiária e relatam rotina de insegurança
Reprodução/EPTV
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