Com alta em casos e internações Covid, Campinas faz alerta antes de adotar medidas restritivas


Número de pacientes atendidos com síndromes respiratórias cresceu 36% nas últimas três semanas e Saúde acendeu o ‘sinal amarelo’. Prefeitura também emitiu alerta aos serviços de saúde, públicos e privados, para mapeamento de casos suspeitos relacionados a variante indiana. O prefeito de Campinas, Dário Saadi
Manoel de Brito/PMC
Com aumento de casos e internações por Covid-19, Campinas (SP) fez um alerta à população sobre a situação da pandemia nesta terça-feira (25). De acordo com a prefeitura, caso os indicadores atuais se mantenham em crescimento na semana, medidas restritivas serão adotadas. Prefeito e secretário de Saúde usaram por diversas vezes a palavra “apelo” para pedir o fim de aglomerações e festas, mesmo em ambiente familiares.
Além disso, há o temor que a chegada da variante indiana, já registrada em algumas localidades do Brasil, provoque uma explosão de infectados como ocorreu com a P.1, de Manaus. Nesse caso, o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) emitiu alerta aos serviços de saúde, públicos e privados, que notifiquem imediatamente qualquer caso suspeito para que o paciente seja isolado e monitorado.
Dados do Devisa apresentados na coletiva mostram um crescimento de 36% nos atendimentos de casos de síndrome respiratória nas unidades de saúde nas últimas três semanas. O percentual de positividade, ou seja, desses casos que confirmam ser Covid, chegou a 30%. No mesmo período, o total de internados, em UTIs e enfermaria, saltou de 600 para 750.
“Esses indicadores nos chamaram a atenção para o alerta. Se continuarem subindo, nós tomaremos as medidas. O Comitê que acompanha a pandemia pediu mais dois dias para análise dos dados, e achamos importante mostrar os dados e fazer esse apelo, pedir para a população que nos atenda. Precisamos dessa colaboração”, disse o prefeito Dário Saadi (Republicanos).
Pressão por leitos
Presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni destacou que o atual cenário pode mudar até o planejamento de abertura de leitos. As 14 vagas de terapia intensiva para pacientes Não Covid que seriam instalados no Mário Gatti podem migrar novamente para atendimento do coronavírus. O cancelamento de algumas cirurgias também está na pauta.
“Estamos em um nível de internação hospitalar bastante alta, e os gripários começaram a manter uma curva ascendente, acima de 100 pacientes por dia no Mário Gatti e entre 70 e 80 no Ouro Verde. Em algumas UPAs, já começa a ter espera, aguardando internação. Vamos observar semana a semana. O sinal amarelo já ascendeu”, afirmou.
Mesmo com a pressão por leitos, a prefeitura coloca o Hospital de Campanha na sede do Patrulheiros, que chegou a ter a reabertura anunciada em março, como última opção no atendimento à pandemia. Segundo a administração, três licitações para contratação de empresa que iria administrar a unidade não tiveram interessados.
“Acredito que essa será a última das últimas opções, até pela inviabilidade. Mas diferente do ano passado, contamos com a UPA Metropolitana e o Hospital Metropolitano”, defendeu Bisogni.
Medidas restritivas
O prefeito não detalhou que medidas restritivas seriam adotadas diante do cenário atual, mas destacou na coletiva que a cidade já realizou, em outras oportunidades, ações contrárias àquelas permitidas pelo governo estadual.
Campinas está atualmente na chamada fase de transição do Plano SP, que permite a abertura de atividades comerciais com até 40% da capacidade. Há uma sinalização do governo de São Paulo por uma nova flexibilização a partir de 1º de julho.
“Tivemos momentos em que fomos mais restritivos que o estado, em outros flexibilizamos uma ou duas horas a mais. Não teremos problema em tomar medidas diferentes do estado. O que a gente pede é que a população colabore, principalmente a parcela mais jovem. As pessoas entre 30 e 49 anos são as que mais estão internadas”, afirmou Dário.
Questionado sobre ações de fiscalização, principalmente em casos como o da boate no Cambuí que promoveu evento com jovens aglomerados e sem máscara, o prefeito disse que a Secretaria de Planejamento solicitou cópia do boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM) e que será instaurado procedimento para apurar que medidas serão tomadas contra o estabelecimento.
Variante indiana
Diretora do Devisa, Andrea Von Zuben explicou que a prefeitura emitiu o alerta aos serviços de saúde para tentar apurar qualquer caso suspeito de variante indiana que apareça na cidade.
A ideia é que qualquer pessoa que apresente sintomas e tenha origem ou tido algum contato com pessoas que estiverem em locais onde há a circulação dessa variante passe por uma avaliação. A prefeitura fará o sequenciamento genético das amostras e manterá o paciente em isolamento.
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