Com fila para UTI Covid, Campinas prevê direcionar leitos para outras doenças


Boletim desta segunda mostra 99% de ocupação no SUS Municipal e quatro pessoas à espera de leitos Covid. Rede Mário Gatti fala em comprar leitos na rede privada ou transformar 16 vagas de terapia intensiva até a próxima semana, caso se mantenha a redução de casos da doença. Hospital Mário Gatti, em Campinas, ficou lotado no fim de semana
Reprodução/EPTV
No dia em que confirmou aumento da fila de pacientes à espera de vagas em UTIs Covid, Campinas (SP) anunciou que prevê reverter parte dos leitos exclusivos da pandemia para tratamento de outras doenças, que também estão em falta. Em nota, a Rede Mário Gatti e a Secretaria de Saúde informaram que isso só ocorrerá se a “redução de casos por coronavírus nos últimos dias for mantida”. Segundo a prefeitura, outra opção é a compra de vagas na rede privada.
Nesta segunda-feira (10), a sala vermelha do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, que recebe casos de urgência e emergência não Covid, enfrentou um cenário de superlotação. No espaço destinado a dez leitos, abrigava 23 pessoas.
A Rede Mário Gatti confirmou o aumento da procura do pronto-socorro do Mário Gatti por paciente não Covid na última semana e informou que entre as medidas estão a transferência de pacientes (leia mais abaixo) e a reversão, na “próxima semana”, de 16 leitos Covid da unidade para UTI Geral no Mário Gatti.
Segundo o comunicado, para que isso ocorra a Rede Mário Gatti acompanha a evolução do número de casos e atendimentos gripais e respiratórios na cidade, que apresentam “redução nos últimos dias”.
No boletim epidemiológico divulgado nesta tarde, a prefeitura confirmou o registro de 462 novos casos positivos e 17 mortes por Covid-19 em relação a última sexta-feira (7). A cidade soma 3.122 mortes e 95,7 mil infectados desde o início da pandemia.
Já na relação dos leitos, a taxa de ocupação do SUS municipal é de 99,39%, com 162 dos 163 vagas exclusivas Covid ocupadas. Há ainda quatro pacientes à espera de estruturas de terapia intensiva. Depois de “zerar a fila” em 5 de maio, ela voltou a ser registrada dois dias depois.
Superlotação da sala vermelha
Depois da superlotação da ala vermelha, com 23 pacientes em um espaço destino a dez, a Rede Mário Gatti disse que tomou medidas imediatas, com a transferência de oito para leitos de internação. Outros pacientes serão transferidos a medida que novas vagas são liberadas, na unidade ou através da central de regulação municipal.
“Novas transferências devem acontecer. No entanto, a ocupação é muito dinâmica e há entrada e saída de pacientes durante 24h. Importante ressaltar que os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde são os únicos públicos que funcionam no sistema porta aberta e atendem a todas as pessoas que procuram o serviço. Os pacientes que se encontram na Sala Vermelha estão recebendo assistência”, diz a nota.
Hospital Mário Gatti, em Campinas
Reprodução/EPTV
De acordo com a Rede Mário Gatti, o pronto-socorro do Hospital Mário Gatti tem registrado aumento da procura por pacientes não Covid tanto para consultas, quanto atendimento de traumas e casos agudos.
“Com o movimento de ampliação gradual de cirurgias oncológicas e ortopédicas, alguns leitos de UTI geral precisam ser utilizados por esses pacientes no pós-cirúrgico, gerando maior sobrecarga na Sala Vermelha. A Rede também reforça que a população deve dar prioridade aos Centros de Saúde para casos de baixa gravidade, o que ajuda a desafogar as unidades de urgência e otimizar o trabalho das equipes médicas e de enfermagem”, diz a nota.
Números do Mário Gatti
140 leitos de internação adulto (62 Covid e 78 para outras doenças)
38 leitos de observação no PS (16 Covid e 22 para outras doenças)
Funcionários do Mário Gatti denunciam sobrecarga na Sala Vermelha
Situação grave
A EPTV, afiliada da TV Globo, recebeu vídeos da superlotação na unidade, gravados por pacientes e funcionários. Nas imagens, é possível ver que as pessoas tiveram que ficar aglomeradas em macas dentro da sala. De acordo com os trabalhadores, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sabe da situação, mas continua fazendo o encaminhamento.
“Não tem espaço pra andar com a maca. E ainda assim estão enviando ambulância, estão enviando paciente pra gente, com vaga zero. Não tem como a gente trabalhar nessa situação. Não tem como a gente dar assistência de qualidade pra vários pacientes nessa situação”, explicou um dos funcionários, que não quis se identificar.
Os familiares dos pacientes que aguardavam por atendimento também relataram preocupação. “A sobrecarga dos enfermeiros está alta aí dentro. Eles não estão dando conta. Eu ouvi falar que tem médico que saiu ontem falando que já voltava e até agora não compareceu, e os que ficaram estão sobrecarregados”, afirmou o comerciante Ricardo Araújo.
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