Covid-19: ONGs da região de Campinas têm baixa de adoções e aumento de animais devolvidos


Entidades relatam que reflexos socioeconômicos da pandemia afetam indicadores. Vice-presidente de associação diz que elevou rigor para avaliar condições de famílias interessadas. ONGs relatam queda de adoções e aumento de animais devolvidos na região de Campinas
Organizações não-governamentais (ONGs) da região de Campinas (SP) registram baixa de adoções e aumento na quantidade de animais devolvidos, em virtude de reflexos provocados pela pandemia da Covid-19. Uma das instituições, por exemplo, já contabiliza parcialmente neste primeiro trimestre 48 resgates nas ruas, o dobro do registrado no período total do ano passado.
Diretora de uma entidade em Campinas, Luíza Grande avalia que os resultados refletem a crise sanitária, embora algumas das famílias não mencionem esta justificativa direta para voltar atrás.
“Muitas pessoas justificaram ‘perdi meu emprego’, ‘tive que mudar de estado e não consigo levar’ […] enfim… tudo é um reflexo. Ninguém dá o motivo da pandemia, mas, vendo todas as notícias e vendo o que todos estão passando, percebemos que é um reflexo, sim”, pondera.
Em Sumaré (SP), uma ONG diz que também teve três cachorros devolvidos nos três primeiros meses de 2021, mesmo número verificado durante todo ano de 2020. Além disso, a presidente da instituição, Fernanda Fabris, ressalta que as adoções diminuíram 50% neste intervalo.
“Acredito que as pessoas estejam com um pouco de medo em assumir um compromisso, afinal de contas animal gera um custo também”, explica.
Pandemia afeta adoções de animais na região de Campinas
Reprodução/EPTV
Busca por soluções
Diante dos indicadores negativos, o vice-presidente da Associação Amigos dos Animais de Campinas, Flávio Lamas, diz que busca alternativas para mudar o quadro. Segundo ele, uma das medidas foi elevar o rigor no momento de encontrar uma família que tenha condições para adotar.
“Estamos perguntando para as pessoas se elas continuam empregadas, se a renda será suficiente para comprar ração, se o espaço que tem na casa não é pequeno. Outra pergunta: ‘O animal vai ficar sozinho?’. São cerca de 20 perguntas. Tem gente que não vai até o fim e acha que estamos sendo exagerados”, conta sobre as alterações.
De acordo com ele, a partir da mudança no procedimento foi verificado que, em média, somente uma a cada sete pessoas que manifestam interesse em adoção tem realmente condição para isso.
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