Covid-19: restaurantes da RMC esperam alta em faturamento no Dia das Mães e associação orienta medidas contra aglomerações


Entidade representativa do setor aposta em delivery mais estruturado do que em 2020 e atendimento presencial na fase de transição. Economista, porém, destaca impactos da pandemia. Restaurantes esperam alta em faturamento, diz associação
Reprodução/EPTV
Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (RMC) devem ter um Dia das Mães mais promissor do que em 2020, de acordo com a associação que representa o segmento (Abrasel). A expectativa para a segunda data mais importante para o setor considera a melhor estruturação do delivery pelos comércios e limite de 25% no atendimento presencial na fase de transição do Plano SP.
Em meio ao clima de otimismo após os dois piores meses da pandemia no país, a entidade orienta clientes e empresários sobre as medidas que devem ser adotadas neste domingo (9) para evitar aglomerações, um dos requisitos essenciais para evitar a transmissão do novo coronavírus.
Por que deve ser melhor?
Os resultados deste ano podem representar o dobro do faturamento registrado no ano passado, e metade do valor esperado no período pré-pandemia, segundo a Abrasel, embora números absolutos não sejam indicados pela entidade. Dois fatores são considerados na perspectiva: em 2020, a data foi celebrada pelas famílias em meio à fase vermelha do Plano SP, quando somente o delivery estava autorizado; e o fato de que os estabelecimentos aprenderam a trabalhar melhor com este serviço.
“O Dia das Mães é a segunda melhor data para o setor, perde somente somente para o Dia das Mães. No ano passado foi complicado, estávamos no começo das principais restrições, ocorreram problemas de logística, os restaurantes estavam aprendendo […] agora o delivery está mais estruturado, a quantidade de motoboys aumentou, e as pessoas estão mais familiarizadas”, avalia o presidente da entidade, Matheus Mason.
Segundo ele, o grupo de restaurantes que tinha delivery passou de 20%, no início da crise sanitária, para 60% até dezembro do ano anterior. Em contrapartida, o número de estabelecimentos na RMC diminuiu neste período de quase 35,5 mil para 30 mil, por causa dos reflexos das medidas restritivas.
No ano passado, o faturamento girou em torno de 25% a 35% do esperado para a data, diz a entidade. O tipo de atendimento oferecido ao cliente deve influenciar no resultado deste ano, e o melhor desempenho deve ser alcançado pelo estabelecimento que tem delivery e atendimento presencial.
“Tem aumentado o consumo relacionado à experiência e esse restaurante terá um desempenho melhor. Um lugar mais aconchegante deve ser mais buscado do que um lugar badalado. Além disso, quando o cliente não se sente confortável, desiste de consumir, por isso terão melhores resultados aqueles que demonstrarem melhor a segurança e aplicação dos protocolos sanitários”, diz Mason.
Orientações na pandemia
Diante da necessidade de cuidados contra a Covid-19, e com propósito de garantir benefícios para os estabelecimentos e clientes, a Abrasel tem três orientações contra aglomerações e outros transtornos.
“O cliente deve realizar a reserva, e um bom gerenciamento do tempo é a principal questão. Se o cliente for ao local sem fazer isso, o estabelecimento deve avisar sobre o tempo médio da espera, que pode chegar em até duas horas no Dia das Mães, para que não haja aglomeração. Assim, ele pode buscar um outro estabelecimento e a fila dilui. Há recomendação para demarcação no chão e, com isso, seja respeitado o espaçamento entre as pessoas. No caso de restaurantes com delivery, que haja um limite de pedidos por hora, já que a tendência é de ter muitos pedidos”, destaca Mason.
Segundo ele, com a limitação de capacidade e necessidade de espaçamento entre as mesas, é possível que parte dos clientes vá ou deixe estabelecimentos “mais tarde” do que o esperado, enquanto outra deve optar por apostar no delivery porque se sente insegura em sair de casa.
“É uma data muito importante, vai ajudar no caixa das empresas”, explica o presidente.
Cautela
O economista Roberto Brito Carvalho diz que, apesar da “fadiga” provocada pela pandemia e parte das mães tenha sido imunizada contra Covid-19, o delivery deve prevalecer como principal alternativa ante à cozinha. “O impacto na nossa região foi muito grande, as pessoas perderam alguém ou conhecem quem perdeu, isso transcende e há uma preocupação em estar junto no próximo Dia das Mães”, explica o docente da PUC-Campinas. Ao avaliar as projeções, é cauteloso sobre o cenário econômico.
“Se por um lado há desejo para este tipo de consumo, a restrição de renda é grande. Não temos o mesmo auxílio emergencial do ano passado, as famílias mais pobres estão em situação mais difícil, e muitas outras estão com dificuldades financeiras após grande período de restrições. Isso deve contrabalancear a expectativa dos comerciantes, mas, em tese, o resultado deve ser mais positivo”.
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