Covid: com falta de remédios do 'kit intubação', Paulínia substitui sedativos para tratar pacientes


Secretaria de Saúde diz que tem encontrado dificuldades para compra dos medicamentos, e infectologista alerta que mudança pode complicar o manejo dos pacientes graves. Hospital da região enfrentam falta de sedativos do ‘kit intubação’
O aumento dos casos e internações por Covid-19 na região voltou a expor problemas com estoques de medicamentos do chamado “kit intubação”, essenciais no tratamento de casos graves da doença. Em Paulínia (SP), o Hospital Municipal registra falta de dois sedativos e, sem conseguir comprá-los, as equipes tiveram de substituí-los por outros, com efeitos diferentes, o que pode complicar o manejo de pacientes, alerta um infectologista.
Segundo a Secretaria de Saúde, o estoque de fentanil acabou em abril, e o de midazolan terminou neste mês de maio. A substituição por remédios como diazepam, tramal, dipirona e morfina fez com que até o monitoramento dos pacientes fosse alterado.
“Demanda um novo processo de trabalho, mais supervisão da equipe de saúde com o paciente, mais monitoramento para poder entender que o tempo de ação do medicamento é mais curto do que os que nós estamos com falta. É todo um processo de trabalho mais acurado para equipe dar conta desse monitoramento desse paciente”, explica Fábio Alves, secretário municipal de Saúde.
Infectologista da PUC-Campinas, André Bueno alerta que a substituição não é o procedimento ideal, mas reforça que a falta novamente desses medicamentos expõe a gravidade do momento da pandemia.
“São medicações diferentes, com potências diferentes, com doses diferentes, e isso pode trazer alguma dificuldade no manejo do paciente. (A falta do medicamento) É um indicativo, sim, do aumento expressivo da sobrecarga ao sistema de saúde. Se não tivesse uma situação crítica, não teria essa falta de medicação”, defende.
Midazolan – Medicamento – Covid-19
Divulgação
Licitação ‘deserta’
O secretário de Saúde de Paulínia informou que o município tentou a compra dos medicamentos tanto pelo processo administrativo normal, que é a licitação, quanto pela compra emergencial.
Segundo ele, no primeiro modelo de compra, as licitações foram “desertas”, ou seja, não apareceram empresas interessadas em vender o produto.
Já na compra emergencial, a prefeitura enfrenta a dificuldade de falta de produtos que atinge todo o Brasil.
“Também estamos tendo dificuldade de garantir essa compra porque exatamente nesse momento da pandemia de grande consumo, em todo estado de São Paulo, em todo país, a gente tem uma dificuldade enorme de poder adquirir esse produto”, diz.
Fábio Alves, secretário de Saúde de Paulínia (SP)
Vanderlei Duarte/EPTV
Em nota, o Ministério da Saúde informou que distribuiu mais de 16 milhões de remédios para intubação aos estados e Distrito Federal desde o começo da pandemia, e que está acompanhando semanalmente a disponibilidade dos medicamentos para que todas as cidades também possam fazer as aquisições.
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