Em reunião sobre crise hospitalar, HC da Unicamp afirma estar sem remédio utilizado para reverter anestesia geral


Medicamento é aplicado após cirurgias com sedação profunda e durante extubação, segundo anestesiologista. Desabastecimento fez com que unidade emprestasse doses do Mário Gatti. Unidade precisou emprestar doses do Hospital Municipal Doutor Mário Gatti nesta segunda-feira, diz superintendente
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O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), informou que enfrenta desabastecimento do medicamento atropina, utilizado para reverter o efeito de anestesia geral em casos de extubação ou de sedação profunda nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Com a falta do remédio, a unidade precisou emprestar doses do Hospital Municipal Doutor Mário Gatti nesta segunda-feira (29).
“Nós estamos com um estoque perigosamente crítico. Até hoje o [Hospital] Mário Gatti nos socorreu, emprestando um pouco [do medicamento], não lembro quantas ampolas”, disse Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, superintendente do HC.
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A informação foi revelada pelo superintendente durante o fórum virtual da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), na noite desta segunda. Segundo ele, o desabastecimento fez com que a administração da unidade cogitasse suspender todos os procedimentos eletivos.
“Nós estávamos hoje decidindo no gabinete se nós íamos suspender todas as cirurgias eletivas para preservar a assistência aos pacientes críticos, às urgências, porque sem atropina não dá para fazer anestesia geral”, explicou Antônio.
O superintendente destacou ainda que, no caso do relaxante muscular Rocurônio, utilizado para intubação, há estoque para três dias. “Nós temos Propofol para 17 dias, Fentanil para 23. O Midazolam [usado para sedação] estava melhor um pouco, acho que é para 40 dias”, afirmou.
Para que serve o medicamento?
Segundo Adilson Roberto Cardoso, professor do departamento de Anestesiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a atropina é um medicamento obrigatoriamente utilizado para reverter o relaxamento muscular após anestesias gerais, pois impede uma queda nos batimentos cardíacos e diminui a quantidade de secreção oral e brônquica.
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Além de afetar o atendimento de pacientes com Covid-19, a falta do medicamento prejudica, principalmente, os pacientes que necessitam de anestesia geral, já que a atropina não pode ser substituída.
“É uma droga muito antiga, mas que é usada numa quantidade bastante grande. Tem algumas opções, mas não vale a pena nem entrar nelas porque são secundárias”, explica Cardoso.
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Leitos pediátricos lotados
Durante a reunião, o diretor técnico do Hospital Mário Gatti, Carlos Arca, revelou que os leitos pediátricos de UTI e de enfermaria da unidade de saúde enfrentam um cenário de 100% de ocupação e que, inclusive, há crianças “represadas” no pronto-socorro infantil.
“Ou seja: coisas que nós não víamos no ano passado em relação à pediatria, estamos vendo este ano. São casos respiratórios, pouquíssimos confirmados como Covid, mas a maior parte com doenças respiratórias próprias da época do ano”, destacou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa), Andrea von Zuben, que também participava na reunião, explicou que o agravamento da situação neste ano em relação ao ano passado se deve, principalmente, por conta do cenário da pandemia.
“Ano passado não havia aula presencial. As pessoas se encontravam menos. A vacinação de gripe tinha sido adiantada. Essa situação foi diferente esse ano”, disse Andrea.
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