Empresa de Sumaré vende e deixa de entregar móveis planejados para 120 clientes da região


KFG Decor alega que sofreu com a pandemia e que comunicou clientes sobre o fechamento; advogado e Procon orientam busca pela Justiça. Clientes denunciam loja de móveis planejados de Sumaré que fechou e não fez entregas
Pelo menos 120 consumidores da região que compraram móveis planejados de uma empresa de Sumaré (SP) denunciam que pagaram pelos produtos e não receberam. Alguns estão com dívidas vinculadas a instituições financeiras e podem ter o nome negativado caso deixem de pagar. A KFG Decor alega que sofreu com os impactos da pandemia e que os clientes foram avisados sobre o fechamento da empresa, e que entrou em contato com alguns deles para resolver a situação.
Por conta do não cumprimento do contrato, os consumidores enfrentam problemas além dos financeiros. A assistente fiscal Alana Moreira, de Campinas (SP), explica que não consegue utilizar o forno e está com os pertences em caixas, devido ao atraso na entrega de armários que ela havia encomendado com a empresa.
“Quando respondem é através de mensagens padronizadas para os clientes”, explica ela, que afirma que a medição final não chegou a ser realizada pela equipe da KFG Decor.
O advogado Paulo Braga explica que a situação pode caracterizar tanto responsabilidade civil, ou seja, que a empresa tem de fazer a devolução dos valores com juros e correções, bem como crime contra as relações de consumo. A orientação é buscar o judiciário para tentar resolver o problema.
O Procon de Sumaré informou que recebeu denúncias contra a KFG Decor, mas como a empresa pediu falência, a recomendação é que os consumidores procurem a Justiça.
Clientes mostram contratos de compra de móveis planejados com a KFG Decor, de Sumaré (SP)
Reprodução/EPTV
Dívida com banco
Amanda Mendes, técnica de enfermagem em Monte Mor (SP), fechou contrato com a empresa em junho de 2020 e foi informada que os móveis seriam montados em 80 dias úteis. A entrega foi adiada para maio de 2021, mas novamente o prazo foi descumprido e ela recebeu como resposta uma notificação por e-mail sobre o fechamento da empresa.
“Eu não posso parar de pagar, se não meu nome vai para o SPC”, afirma ela sobre o financiamento no valor de R$ 7.450 que fez com o banco para pagar pelos móveis.
Amanda conta também que tirou o gesso e rodapé da parede a pedido da KFG, que afirmou que não seria possível realizar a montagem com as estruturas.
‘Processo de reestrututação’
As redes sociais da KFG foram desativadas e no site o único conteúdo disponível é uma nota oficial que informa sobre um processo de restruturação e alerta para a suspensão dos orçamentos.
Ao procurar o dono da empresa, Camila Macedo, uma das clientes que tinha realizado compras com a KFG, foi informada de que poderia tentar resolver a questão judicialmente. Segundo ele, não poderia ajudar pois a empresa não tem dinheiro para compra dos materiais.
O protocolo realizado pelos proprietários no momento é de cancelamento dos projetos.
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