Entenda como traficantes atuam para burlar a entrada de drogas no Aeroporto de Viracopos


Série da EPTV mostra os bastidores da tentativa de combate ao tráfico internacional dentro do terminal em Campinas. Criminosos mudam o composto químico das substâncias para tentar escapar da investigação. Série especial mostra apreensão de drogas no Aeroporto de Viracopos, em Campinas
O Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), presente na rota do tráfico internacional de drogas, trabalha para barrar a entrada do entorpecente e também a tentativa dos criminosos de burlar a identificação dos produtos, através de modificação genética nas fórmulas, principalmente no caso de entorpecentes sintéticos. Para isso, as equipes da Polícia Federal e da Receita Federal se cercam de tecnologia e troca de informações.
Nesta semana, a EPTV, afiliada da TV Globo, exibe uma série sobre o tráfico de drogas dentro do terminal em Campinas (SP) – em 2020, foram interceptadas 11 toneladas de entorpecente. Na segunda-feira (18), a primeira reportagem mostrou como funciona o laboratório que trabalha na identificação das substâncias.
Série mostra como polícia tenta coibir entrada de MDMA em Viracopos
Reprodução/EPTV
De acordo com o perito da Polícia Federal Rogério Matheus, que é doutor em química, os criminosos, para não serem descobertos, sempre mudam a fórmula de fabricação das drogas sintéticas. A manobra dificulta que a polícia e a Receita façam a identificação do entorpecente.
“Ela faz modificações estruturais na molécula para que ela fuja da lista de controle de substância. Então, às vezes, identificando um grupo de átomos em uma estrutura, mantém-se os efeitos farmacológicos, mas ela deixa de estar enquadrada em listas de procura. A briga é justamente essa, é uma briga de gato e rato. Quando aparece uma substância nova, as forças policiais já procuram fazer a identificação”, explicou.
Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas
Reprodução/EPTV
Laboratório
O Laboratório do Núcleo-Técnico-Científico de Viracopos, considerado o mais completo do país dentro de um aeroporto, já emitiu 2.666 laudos sobre drogas apreendidas no terminal. Entre as substâncias identificadas está a “NSP”, conhecida como “Canabinóide Sintética”, uma espécie de maconha produzida em laboratório, além de MDMA, que causa alucinações e alterações sensorais, além do efeito nocivo à saúde.
As apreensões também foram feitas em um grupo de drogas chamado “N-Etilpentilona”, composto químico com efeito estimulante que pode causar overdose. “A gente já viu situações dos dois tipos: laboratórios bem elaborados, como se fosse universitário, mas também laboratórios muito rudimentares. Esse é um grande problema, porque junto com a substância de interesse ao usuário a outras substâncias que fazem mal”, afirmou Matheus.
O problema do consumo de drogas sintéticos no Brasil instigou até o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp a desenvolver um projeto, em parceria com a Polícia Federal, Polícia Científica de São Paulo e Polícia Civil de Sergipe, para criar um curso de pós-graduação na área para profissionais de perícia.
Terminal de Cargas de Viracopos
Reprodução/EPTV
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