Entenda esquema de quadrilha que fraudava empréstimos para manter vida de luxo


Carros luxuosos, lanchas e joias faziam parte da vida ‘cinematográfica’ dos suspeitos. Prejuízo total causado pelas fraudes chega a R$ 2,5 bilhões, segundo a Polícia Federal. Entenda como funcionavam os crimes financeiros investigados pela PF de Campinas
Descrita como “cinematográfica”, a vida de luxo dos suspeitos de integrar uma quadrilha que praticava crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, desmantelada nesta terça-feira (11) pela Polícia Federal de Campinas (SP), envolvia imóveis, joias, lanchas e carros luxuosos, incluindo marcas como Porsche, Ferrari e BMW.
O G1 listou perguntas e respostas sobre o esquema de fraudes em empréstimos responsável por manter o alto padrão do grupo, envolvendo até mesmo contratos com órgãos públicos. Confira os detalhes abaixo.
Veículos de luxo foram apreendidos durante a operação Black Flag
Divulgação/Receita Federal
De onde vinha o dinheiro?
A ação do grupo consistia em criar empresas com CPFs falsos e nomes similares. Em seguida, os responsáveis solicitavam e conseguiam financiamentos, mas não pagavam impostos e não produziam nada. Depois de criadas, as empresas eram fechadas rapidamente.
A primeira empresa fictícia criada pelo grupo conseguiu, em 2011, um contrato com a Desenvolve SP, uma agência de fomento econômico estatal, e outro com a Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 73 milhões.
Além dos CPFs falsos, a organização também usava laranjas para fazer movimentações financeiras.
Como a fraude foi descoberta?
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou há dois anos e as fraudes foram descobertas a partir de ações da Receita, que verificou “movimentações financeiras suspeitas”.
Com a instauração do inquérito, a corporação descobriu “uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias” na região de Campinas responsável por movimentar o valor bilionário em operações financeiras.
Polícia Federal cumpre mandados em Campinas contra crimes financeiros
Paulo Gonçalves/EPTV
Qual foi o prejuízo total?
Até o momento, a Polícia Federal avalia que o valor total das fraudes chegue a R$ 2,5 bilhões.
Quantas pessoas foram presas?
Ao todo, 15 mandados de prisão foram cumpridos em dez municípios de quatro estados do Brasil. Dez pessoas foram presas em Campinas, enquanto outras duas foram localizadas na capital de São Paulo e em Brasília (DF). As prisões são temporárias de cinco dias.
Além disso, um delegado da Polícia Federal foi afastado do exercício do cargo por 30 dias por conta de uma “troca de informações”.
Operação Black Flag apreendeu carros de luxo em quatro estados
Divulgação/Polícia Federal
Quais foram os bens apreendidos?
A operação bloqueou contas e investimentos no valor de R$ 261 milhões, sequestrou bens imóveis e congelou transferências de bens móveis.
Durante as buscas, 20 carros de marcas de luxo, entre elas Porsche, Ferrari, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo, foram apreendidos. Os agentes também recolheram lanchas em Paraty (RJ).
Também foram apreendidos R$ 1,2 milhão em dinheiro, 302 joias, 97 relógios, 76 bolsas, 147 garrafas de vinho, 2 quadros, 27 celulares, documentos e uma caixa de RGs falsos que eram usados para abrir as empresas fictícias.
Por quais crimes os envolvidos devem responder?
Segundo a Polícia Federal, os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade ideológica e material e organização criminosa.
Polícia Federal cumpriu mandados em Paraty na Operação Black Flag
Divulgação/Receita Federal
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