Escolas de educação infantil de Campinas perdem 2,9 mil matrículas em um ano


Levantamento mostra que, em 2021, total de alunos matriculados foi de 33.090, contra 36.006 em 2020. Para especialista, números refletem insegurança com a pandemia. O total de alunos de 0 a 5 anos matriculados na escolas municipais de educação infantil em Campinas (SP) sofreu uma queda de 2.916 no último ano, segundo levantamento realizado pela prefeitura. Em 2021, o total de alunos matriculados nas instituições foi de 33.090, contra 36.006 em 2020.
Além das matrículas, o total de alunos na fila por uma vaga nas creches também diminuiu, passando de 6,5 mil em 2019, para 5,1 em 2020 e 1,9 mil neste ano. Atualmente, o município possui 42 mil alunos que frequentam os 161 Centros de Educação Infantil e 44 entidades conveniadas a Secretaria de Educação.
Para a doutora em educação e pesquisadora em educação infantil Gabriela Tebet, a diminuição no número de matriculas é um reflexo da pandemia e do ensino a distância, além de evidenciar a insatisfação das famílias com a educação remota das crianças.
“Isso que está posto hoje contraria tudo que a gente acredita em relação a currículo na educação infantil, aos benefícios da educação infantil para crianças. As famílias, do jeito delas, estão dizendo a mesma coisa, de que isso que está sendo oferecido não é educação infantil, não é isso que interessa às crianças”, destaca Tebet.
Aprender em casa
Segundo a pesquisadora, ainda que as crianças tenham sido prejudicadas pela perda da escola enquanto espaço de socialização durante a quarentena, ainda há o que elas possam aprender dentro de casa, com as interações e práticas cotidianas.
“[A diminuição] é sinal de que as famílias estão mais tranquilas e que, nesse momento, não é hora de mandar as crianças para a escola. […] As famílias que mais precisam, que façam uso desse espaço, mas todas as outras que tiverem condições de atender com qualidade as crianças em casa, fiquem com elas que ainda é mais seguro”, destaca.
Tebet defende ainda que os pais não devem ficar inseguros em relação ao fato de que as crianças tenham o aprendizado prejudicado, já que, no ensino infantil, os trabalhos são realizados por meio de brincadeiras e interações, o que também acontece no convívio com a família.
“Estar fora da escola nesse momento é o prejuízo de ter que conviver com a Covid, com a pandemia, mas enquanto a pandemia estiver, as famílias devem se sentir bem à vontade para fazer as operações que melhor às convêm, que acharem mais segura para suas crianças”, finaliza.
Para especialista em educação, interrupção das aulas presenciais não deve preocupar pais
Reprodução/EPTV
Retomada gradual
Pedro Henrique de Souza, de 4 anos, voltou a estudar presencialmente nesta segunda-feira (10), em um Centro de Educação Infantil no Jardim São Bernardo, uma semana após a liberação do retorno gradual das atividades presenciais em creches da metrópole. Para Mayara Fernandes da Silva, mãe de Pedro, a retomada das aulas traz expectativas positivas.
“Por mais que a gente tenha as atividades em casa, o professor mande as atividades para ele fazer em casa, acho que a escola é um lugar muito importante para a criança, para a evolução dela. Com todas as prevenções que eles pediram para a gente ter, eu tenho certeza que vai ser muito bom esse retorno”, diz Mayara.
Nesta segunda-feira, o planejamento considera o retorno de até 3.936 crianças com idades entre 1 ano e 8 meses a 3 anos e 3 meses, que pertencem ao agrupamento II. As salas de aula têm capacidade limitada a 35% e os alunos só podem permanecer nas creches por até 3h.
Salas de aula têm capacidade limitada a 35% e permanência por até 3h
Reprodução/EPTV
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