Filha de vítima de feminicídio em Piracicaba relata trauma do crime: 'saber que sou filha do assassino é difícil'


Crime ocorreu em 2019. Psicanalista diz que filhos de mulheres que foram mortas de forma violenta devem ter acompanhamento para repetir comportamento violento. Filhos de vítimas de feminicídio na região de Campinas relatam traumas
“Saber que minha mãe morreu por causa do meu pai… Saber que eu sou filha do assassino da minha mãe é muito difícil para mim.” O depoimento é de Lariça, filha de uma vítima de feminicídio de Piracicaba (SP). O crime ocorreu em 2019.
É comum em casos de feminicídio, em que o marido ou companheiro mata a mulher, o casal ter filhos. O psicanalista Diego Cavalcante explica que filhos de mães que foram mortas de forma violenta devem ter acompanhamento para não terem tendência de repetir o comportamento vivenciado em casa.
Feminicídio ocorreu no Jardim Ibirapuera, em Piracicaba
Guarda Municipal de Piracicaba
“Para que os filhos comecem a entender o papel do homem na sociedade e o papel da mulher. Porque a desigualdade é muito grande hoje. Em uma sociedade patriarcal onde a gente vive, onde o homem tem autoridade, tem poder, e a mulher se sente oprimida por isso”, explicou.
Cavalcante também diz que o apoio de familiares é importante para que mulheres que vivem em situação de violência consigam se afastar do agressor. “Tem que dar esse apoio familiar e procurar ajuda, um apoio psicológico para que ela se sinta empoderada em sair dessa situação.”
O caso da mãe de Lariça Silva Ribeiro deixou marcas na família até hoje. “Para minha avó está sendo muito difícil, ela aumentou os medicamentos, ela ainda passa com psiquiatra, essas coisas”, relatou.
Na época, pai dela não aceitou a separação com a mãe, Eliana de Jesus Silva Ribeiro, com quem foi casado por 30 anos e matou a ex-mulher a facadas. A filha contou que a relação já era conturbada. O homem fugiu do local do crime e foi preso em Botucatu, a 100 quilômetros de Piracicaba.
Um levantamento feito pela EPTV, afiliada TV Globo, mostra que desde 2019 foram 61 feminicídios nas regiões de Campinas e Piracicaba. Entre eles, 33 das vítimas tinham filhos.
Samara Schultz, de 35 anos, foi morta a facadas pelo marido Feliciano Neto, na frente da filha do casal, em Limeira (SP)
Reprodução
É o caso de Samara Schultz, morta pelo marido na noite de domingo (16) em Limeira (SP). A filha dela, de 5 anos, presenciou o crime. Feliciano Rodrigues Candido Neto, 36 anos, foi preso em flagrante por policiais militares e levado ao plantão da Polícia Civil, onde ficou detido.
Também no fim de semana, uma mulher foi morta a facadas em Santa Bárbara d’Oeste e o principal suspeito é o companheiro. Ele está foragido.
Já na última semana, em Campinas, o corpo de uma mulher foi encontrado carbonizado dentro de um carro. As investigações apontaram que a vítima foi morta pelo marido. O suspeito está preso.
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