Funcionário de hospital municipal denuncia leitos amontoados com pacientes graves intubados em Campinas; VÍDEO


Sala vermelha do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti tem capacidade para 12 pacientes e tinha cerca de 20 na manhã desta quarta-feira (26). Diretor de Saúde da unidade da rede pública confirmou problema. Funcionário do Hospital Mário Gatti denuncia superlotação da sala vermelha em Campinas
Um funcionário do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), gravou um vídeo nesta quarta-feira (26) denunciando a superlotação de pacientes, com leitos e macas amontoados na sala vermelha. O espaço reúne casos graves à espera de vaga em enfermaria ou UTI e tem capacidade para 12 pessoas, mas acomodava cerca de 20, alguns deles intubados. Direção reconhece que situação é crítica.
“Não tem espaço para andar entre uma maca e outra. Não tem espaço para dar um atendimento de qualidade pro paciente. Quando chega uma ambulância, não tem como a maca da ambulância entrar, porque não tem espaço pra andar”, diz o trabalhador da saúde. Veja o relato completo no vídeo acima.
“Temos pacientes graves, pacientes intubados, pacientes que eram pra estar numa UTI [Unidade de Terapia Intensiva], ou pelo menos numa semi-UTI, mas estão lá, misturados com um monte de pacientes de diversos tipos de patologias. Pacientes que eram pra ser uma cirurgia agendada e acaba urgenciando e colocando o paciente lá. No meio de paceintes graves, pacientes que estão com risco iminente de morte”, completa o funcionário.
A denúncia também destacou a falta de distanciamento entre os leitos, medida necessária para conter o avanço da Covid-19, e que há pacientes com suspeita de coronavírus entre os demais e risco de infecção.
“A gente tá pedindo, pelo amor de Deus, pra que liberem vagas pra esses pacientes. A gente tá trabalhando numa situação precária. É desumano. É desumano para o paciente”, afirma o funcionário.
Sala vermelha do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti superlotada em Campinas
Reprodução/EPTV
Direção do hospital confirma problema
O Diretor técnico do Hospital Mário Gatti, Carlos Arca, reconheceu que a situação é crítica em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. Nesta manhã, três pacientes estavam intubados na sala vermelha, sendo que dois deles foram transferidos até o início da tarde.
“Realmente, a situação está bastante delicada nesse ambiente do hospital. E no momento que você tira um paciente, acaba chegando outro da rua. Nós estamos tomando medidas emergenciais já esta semana para tentar minimizar esse impacto à sala vermelha”, afirma o diretor; veja no vídeo abaixo.
Com alta em casos e internações Covid, Campinas faz alerta e cogita medidas restritivas
Vídeo mostra sala vermelha lotada de pacientes com Covid-19 no Hospital Mário Gatti
“A Secretaria de Saúde tem se empenhado de forma, assim, total para que isso seja controlado e a situação seja mantida dentro de limites aceitáveis. Infelizmente não [está], apesar de todos os esforços de todas as esferas, tanto da Rede [Mário Gatti] quanto do município”, completa.
Carlos Arca afirmou, ainda, que é feito o teste RT-PCR para diagnóstico de coronavírus em todos os pacientes que chegam no hospital, e que os casos positivos são isolados. E os que apresentam sintomas respiratórios são encaminhados ao Hospital Metropolitano, que está com atendimento exclusivo para Covid-19.
“A tentativa é rodar muito rapidamente os pacientes, tentar manter um distanciamento seguro, uso de máscara pelos pacientes o tempo todo, porque usar máscara minimiza muito a transmissão”, explica o diretor.
A metrópole já confirmou 3.284 mortes por Covid-19 e um total de 100.930 moradores infectados.
Macas acomodadas sem distanciamento para prevenir infecção entre os pacientes na sala vermelha do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas
Arquivo pessoal
Falta de leitos SUS para Covid
Dados do Devisa apresentados nesta terça (25) mostram um crescimento de 36% nos atendimentos de casos de síndrome respiratória nas unidades de saúde nas últimas três semanas. O percentual de positividade, ou seja, desses casos que confirmam ser Covid, chegou a 30%. No mesmo período, o total de internados, em UTIs e enfermaria, saltou de 600 para 750.
“Esses indicadores nos chamaram a atenção para o alerta. Se continuarem subindo, nós tomaremos as medidas. O Comitê que acompanha a pandemia pediu mais dois dias para análise dos dados, e achamos importante mostrar os dados e fazer esse apelo, pedir para a população que nos atenda. Precisamos dessa colaboração”, disse o prefeito Dário Saadi (Republicanos).
Nos hospitais da metrópole, a situação é preocupante, segundo informações dos boletins de ocupação de leitos, atualizadas na tarde de terça:
SUS municipal: 151 leitos, dos quais 150 estão ocupados. Há 1 leito livre.
HC da Unicamp: 40 leitos, dos quais 40 estão ocupados. Não há leito disponível.
Particular: 207 leitos, dos quais 161 estão ocupados. Há 46 leitos vagos.
AME: 24 leitos, dos quais 23 estão ocupados. Há 1 leito livre.
Presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni destacou que o atual cenário pode mudar até o planejamento de abertura de leitos. As 14 vagas de terapia intensiva para pacientes não Covid que seriam instalados no Mário Gatti podem migrar novamente para atendimento do coronavírus. O cancelamento de algumas cirurgias também está na pauta.
“Estamos em um nível de internação hospitalar bastante alta, e os gripários começaram a manter uma curva ascendente, acima de 100 pacientes por dia no Mário Gatti e entre 70 e 80 no Ouro Verde. Em algumas UPAs, já começa a ter espera, aguardando internação. Vamos observar semana a semana. O sinal amarelo já acendeu”, afirmou.
VÍDEOS: Veja o que é destaque na região de Campinas
Veja mais notícias da região no G1 Campinas