Índices sugerem desaceleração da pandemia, mas Campinas pede cuidados na Páscoa para consolidar tendência


Devisa registrou diminuição nos atendimentos de síndromes gripais, estabilização das filas para internação e taxa de transmissão a 0,98. Dados positivos, porém, não significam que está na hora de relaxar. Andrea Von Zuben, coordenadora do Devisa, em coletiva realizada nesta terça-feira (30)
Manoel de Brito/Prefeitura de Campinas
Após registar recorde de óbitos por Covid-19 em 24 horas, Campinas (SP) apresentou, nesta terça-feira (30), indicativos de que as medidas restritivas estão surtindo efeito e causando, por exemplo, uma diminuição nos atendimentos de síndromes gripais nas unidades de saúde. Diante disso, a prefeitura realizou um apelo para que munícipes fiquem em casa na Páscoa e, assim, a tendência de queda se consolide.
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“Nesse feriado da Páscoa, se alguém for visitar família e amigos, ou se receber visita, que use máscara dentro de casa, faça o distanciamento quando tirar a máscara para se alimentar, porque é nesse momento que as pessoas se contaminam”, alertou o secretário de Saúde, Lair Zambon, em coletiva.
Segundo Zambon, o momento é “crucial” para que haja a mudança de direção da curva de contágio, o que possibilitaria a revisão das medidas adotadas pelo município para conter o avanço da pandemia. Atualmente, a metrópole está inserida na fase emergencial, a mais restritiva do Plano São Paulo.
Recorde de óbitos x indicadores positivos
Ainda que falar sobre indicadores positivos no mesmo dia em que a cidade bateu recorde de vidas perdidas para a doença soe como uma contradição, a coordenadora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, explica os óbitos registrados nesta terça-feira correspondem a pessoas expostas ao vírus até 42 dias antes da data em que a morte ocorreu.
“Quem morreu hoje, por exemplo, adquiriu a infecção de 30 a 40 dias antes, então é muito importante a gente entender que, mesmo que os nosso dados comecem a melhorar, não quer dizer que ainda não vai ter um monte de óbitos, porque a gente tem muitas pessoas internadas nesse momento em Campinas. Para ser mais precisa, cerca de 1 mil pessoas internadas”, disse Von Zuben.
Linha do tempo mostra etapas da infecção pela Covid-19
Devisa/Prefeitura de Campinas/Divulgação
Para exemplificar a linha do tempo de infecção, a coordenadora do Devisa comentou o caso de uma paciente de 69 anos cuja morte foi registrada nesta terça. Segundo ela, a paciente apresentou os primeiros sintomas em 17 de outubro de 2020, foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 31 do mesmo mês e morreu somente no dia 4 de março deste ano.
O que indica uma tendência positiva?
Estabilização, nos últimos cinco dias, no número de pacientes na fila de espera por internação em UTI e enfermarias;
Taxa de reprodução do vírus, que estava acima de um, agora está em 0,98, ou seja, cada 100 infectados transmitem o vírus para 98 pessoas. Essa taxa já chegou a 1,2;
Na atual semana epidemiológica, a 13ª, foram atendidas 2.504 pessoas com síndromes gripais nas unidades de saúde. Projeções indicam que esse número deve chegar a 6.260 até 3 de abril, contra 11.706 pessoas atendidas somente na 9ª semana epidemiológica (de 28 de fevereiro a 6 de março).
Por que ainda não se pode relaxar?
Além dos 40 óbitos registrados nesta terça-feira, a cidade contabilizou mais 1.160 moradores infectados, o que elevou o total para 80.767;
Sem leitos de UTI Covid-19 disponíveis na rede pública, a cidade tem 110 pacientes à espera de vagas, três a mais que no dia anterior, segundo a prefeitura. A taxa geral de ocupação é de 96,81%, uma vez que hospitais particulares têm 14 leitos de terapia intensiva aptos;
Ao todo são 425 pacientes internados em UTIs, enquanto que a metrópole reúne 439 leitos. O recorde de internados pela doença desde o início da pandemia é de 434, registrado em 26 de março.
Redução de danos
Andrea Von Zuben ressalta que o feriado de Páscoa preocupa a administração, já que, por ser uma data comemorativa cristã, as famílias costumam se reunir para almoços e celebrações. “A gente não pode deixar esse feriado da Páscoa fazer a nossa curva voltar a subir”, pede a coordenadora.
Como, então, minimizar os riscos?
Realizar a confraternização em varandas e ambientes abertos;
Permanecer de máscara durante todo o tempo;
Se retirar a máscara para comer, se afaste e vá para um local isolado.
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