Indústrias da região de Campinas têm alta de 33% nas exportações em abril, mas valor acumulado do ano ainda é menor que em 2020


De acordo com o Ciesp, principal problema para o envio de mercadorias ao exterior é o aumento do preço do frete internacional, causado pela pandemia de Covid-19 por conta da baixa oferta de voos. Importação também teve aumento. Indústria em Campinas
Reprodução/EPTV
As indústrias da região de Campinas (SP) registraram aumento de 33% nas exportações em abril deste ano. De acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-SP), o valor gerado por envios de mercadorias para fora do país chegou a US$ 248,8 milhões, enquanto que no mês anterior o índice foi de US$ 185,9 milhões. No entanto, no acumulado do ano, o índice, de US$ 860,2 milhões, ainda está 3% abaixo ao de 2020.
O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp, Anselmo Riso, afirmou que o principal problema das indústrias da região de Campinas para exportar mercadoria é o aumento do preço do frete internacional causado pela pandemia da Covid-19. De acordo com ele, a redução de voos internacionais de passageiros no Aeroporto Internacional de Viracopos diminuiu a possibilidade de trânsito de mercadorias nos bagageiros das aeronaves comerciais, o que causou a alta da taxa.
“Em janeiro de 2020, o frete de contêiner era US$ 750 e agora já chegou em US$ 3,2 mil. Isso é um fenômeno mundial, não é só no Brasil, e afeta também o transporte marítimo. por conta do congestionamento dos portos internacionais. Essa crise de abastecimento está prestes a piorar não só pela falta de espaço, mas também pela discussão sobre o aumento dos combustíveis”, explicou o diretor.
O balanço do órgão estadual ainda apontou aumento de 9% nos números de importação de janeiro a abril de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado, passando de US$ 3 bilhões para 3,3 bilhões. Além disso, o saldo da balança comercial ficou negativo em 2,5 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, o que equivale a um crescimento de 14% em relação a 2020.
Ainda segundo o Ciesp, os tipos de mercadorias mais exportadas pelas indústrias da região neste ano foram máquinas (15,6%), produtos plásticos (8,5%) e produtos farmacêuticos. “Como o mercado no Brasil ainda não está totalmente recuperado, o mercado exterior se tornou bastante convidativo para as empresas”, disse o vice-diretor do órgão em Campinas, José Henrique Toledo.
Anselmo Riso, diretor do Ciesp Campinas
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Sondagem industrial
O Ciesp também divulgou nesta quarta-feira (26) resultados de uma sondagem industrial feita com as empresas. Os indicadores, com dados de maio, permaneceram estáveis em comparação com a pesquisa anterior nas perguntas sobre volume de produção, faturamento e número de funcionários.
Apesar do aumento de casos e internações de Covid-19 em Campinas, do temor com a circulação da variante indiana, e da falta de vacinas suficientes contra a doença, o vice-diretor aposta em uma recuperação do setor e não acredita que uma eventual terceira onda vai prejudicar a economia das indústrias.
“Acho que as pessoas estão se vacinando, não acredito que vai acontecer isso de terceira onda, o Brasil é um dos país que mais vacina, precisamos ter bom senso para avaliar isso também e, se aumentar os casos, as empresas estão preparadas para isso”, disse Toledo.
José Henrique Toledo Corrêa, vice-diretor do Ciesp Campinas
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Ciesp Campinas
As empresas associadas ao Ciesp Campinas movimentam média de R$ 41,5 bilhões por ano. Do total de 494 empresas, 84 são multinacionais.
Elas estão distribuídas pelos municípios de Amparo (SP), Artur Nogueira (SP), Campinas (SP), Conchal (SP), Estiva Gerbi (SP), Holambra (SP), Hortolândia (SP), Itapira (SP), Jaguariúna (SP), Mogi Guaçu (SP), Mogi Mirim (SP), Paulínia (SP), Pedreira (SP), Santo Antonio de Posse (SP), Serra Negra (SP), Sumaré (SP) e Valinhos (SP).
Os setores de atuação delas são os de alimentos, bebidas, diversos (itens específicos), elétrico, eletrônico, comunicação, madeira, mecânico, metalúrgico, papel e papelão, prestadores de serviços, produtos de materiais plásticos, produtos minerais não metálicos, químico, têxtil, além de transportes e autopeças, entre outros.
A sede do Ciesp, em Campinas
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