Na contramão do país, Campinas reduz mortes por Covid em abril e indica a prefeitos ações de prevenção sob alerta de 3ª onda


Abril foi o mês mais letal da pandemia no Brasil e em SP, mas Campinas mudou a curva em março. Cidade antecipou medidas de restrição, mas ainda teve que manejar superlotação em hospitais. Comparativo do número de mortes nos meses de março e abril em Campinas e no estado de São Paulo
Reprodução/Devisa/Prefeitura de Campinas/FNP
A Prefeitura de Campinas (SP) apresentou nesta sexta-feira (21) a municípios da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) indicadores para um enfrentamento precoce da pandemia da Covid-19 com foco na possibilidade de uma 3ª onda. A cidade teve março como o mês de maior número de mortes, ao contrário de SP e do Brasil, que viram a situação piorar mais ainda em abril.
De acordo com indicadores da Fundação Seade e do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas, o estado de São Paulo registrou alta de 42% em óbitos em um mês, e a metrópole do interior viu uma queda de 13,1% no número de vítimas, terminando abril com 533 mortes até o boletim municipal divulgado nesta quinta (20). Em março foram 617.
Ainda assim, hospitais públicos e particulares da cidade ficaram lotados e a fila de pacientes à espera de vagas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e até enfermarias era de aproximadamente 100.
“Fizemos toque de recolher antes do estado, intervenção do Hospital Metropolitano [rede particular] […] Não está tão ruim a rede hospitalar e a gente está tomando medidas. As pessoas insistem: ‘coloquem mais leitos’. Mas não tem RH, não tem estrutura. A possibilidade de aumentar leitos não é real”, explicou Andrea durante a transmissão ao vivo aos executivos municipais.
Atualmente, a cidade teve 3.230 vidas perdidas para a pandemia, com total de 99.058 pessoas com teste positivo para coronavírus, o equivalente a ao menos 8,1% da população infectada.
Andrea von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas
Reprodução/FNP
Avaliação e monitoramento precoce
Diretora do Devisa, Andrea von Zuben detalhou aos cerca de 250 prefeitos os indicadores de avaliação e monitoramento precoce que foram adotados em Campinas para preparar melhor a estrutura de saúde disponível na cidade durante o período mais letal de 2021. Não são modelos matemáticos, mas de comportamento. São eles:
Dados de morbidade por análise de sintomas gripais: alta de 100% em atendimentos aponta sobrecarga no sistema hospitalar em até 5 semanas.
Dados laboratoriais a partir de exames PCR positivos: alta nos casos aponta onda hospitalar em até 6 semanas.
Dados de hospitalização: evolução de pacientes graves que precisam de transferências para UTIs.
“Até que os indicadores de vigilância clássicos sejam conhecidos pelo sistema, talvez seja tarde. A internação vai ocorrer no 10º, 12º dia após o início de sintomas. Quando tem muita internação, já tem muita gente infectada e a transmissão com tendência de aumento”, explicou Andrea.
“Aumento sustentado da ao menos duas semanas nos parâmetros, pode ter certeza que é o início de uma nova onda pandêmica”, alertou a diretora do Devisa.
Indicadores detalhados pela Prefeitura de Campinas para adoção de medidas precoces na pandemia
Reprodução/Devisa/Prefeitura de Campinas/FNP
Medidas ‘antipáticas’
Secretário de Saúde de Campinas, Lair Zambon admitiu que algumas medidas adotadas foram antipáticas à população, como o toque de recolher com multas e registro de boletim de ocorrência na Polícia Civil. Mas, segundo ele, foi o caminho para evitar um colapso maior na saúde.
“Indicador precoce de monitoramento nasceu de forma observacional de conhecimento do ano passado. […] Nasceu de muito estresse que passamos na segunda onda e nos permitiu tomar medidas precoces de uma forma bastante criticada na época. Foram tomadas antes mesmo das medidas restritivas do estado”, afirmou.
“O enfrentamento resolveu também 20% dos casos vindos da Região Metropolitana (RMC)”, ressaltou o prefeito Dário Saadi.
Algumas medidas adotadas em Campinas:
Requisição administrativa do Hospital Metropolitano (particular) para uso da estrutura por meio de ação judicial
Barreiras sanitárias
Toque de recolher
Ações policiais contra aglomerações e festas clandestinas
Restrição de funcionamento de estabelecimentos comerciais
Ampliação de multa a estabelecimentos
Aplicação de multa a moradores
Proibição de eventos familiares com mais de 10 pessoas
“Cidades menores talvez tenham mais facilidade. [O modelo de Campinas] não envolve dados complexos. Todas as cidades podem fazer o método que usamos”, disse o secretário de Saúde.
Lair Zambon, secretário de Saúde de Campinas
Reprodução/FNP
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