Observador registra canto do gaturamo-bandeira em detalhes; veja vídeo


Conheça mais sobre a espécie e descubra outras curiosidades sobre os parentes dela. Gaturamo-bandeira canta e mostra a desenvoltura corporal para projetar a vocalização
Foi através de uma publicação criada nas redes sociais que o observador de aves e engenheiro aposentado Amaury Pimenta abriu os olhares e ouvidos de muitos admiradores de natureza para um detalhe curioso. Em um vídeo feito por ele em Nova Lima (MG), um gaturamo-bandeira (Chlorophonia cyanea) canta e mostra toda a desenvoltura corporal para projetar a vocalização.
O flagrante ganha destaque por exibir, em detalhes, a movimentação no peito da ave para emitir seu canto. O som, por mais que seja considerado fraco, é produzido constantemente e de forma repetitiva, sendo muito comumente identificado na mata. O desafio, porém, é conseguir visualizar as aves durante esse processo, já que são ágeis e costumam não responder aos chamados feitos por observadores através de playbacks.
Gaturamo-bandeira mede cerca de 10 centímetros de comprimento e pesa 13 gramas
Amaury Pimenta/Acervo Pessoal
Na anatomia das aves, o canto é produzido por uma estrutura na região da traqueia chamada de siringe. Conforme o grau de musculatura desse órgão e a passagem de ar por ele, a potência vocal das aves se estrutura. É interessante notar que a força de propulsão do canto do gaturamo até mesmo expande a pele, no vídeo, mostrando a penugem preta sob o peito amarelo.
A siringe é um órgão presente nas aves responsável pela produção e emissão de sons
Rogério Faggione/Arte
Com um dos cantos mais potentes, araponga chama a atenção especialmente nas grandes cidades
A cena ajudou a compor a série “O que eu vejo da minha varanda em tempos de isolamento”. Uma iniciativa do próprio Amaury para desfrutar da natureza do quintal e superar o processo da pandemia com mais leveza em Nova Lima.
Mas é fato que ficar em casa nunca foi um grande sacrifício para ele. A beleza dos animais mais comuns e das espécies habitantes do município sempre foram fruto da admiração do engenheiro aposentado que até já publicou um livro com registros das aves que avistava no condomínio onde mora.
Fim-fim, parente do gaturamo, é outra ave que foi flagrada pelo observador na pandemia
Amaury Pimenta/Acervo Pessoal
“Na época eram 140 espécies, mas hoje já registrei mais de 200 aqui. Essa tem sido a minha missão: tentar promover essa cidade tão rica em natureza, mostrar o potencial gigante que podemos explorar e incentivar esse conhecimento na população”, afirma ele, que sempre busca inovar nos flagrantes até mesmo das aves mais famosas.
Foi seguindo essa lógica que fez o registro do “bandeirinha” de forma despretensiosa, mas simplesmente ao filmar comportamentos e identificar características das espécies, o observador passou a também compreender mais sobre seu papel com a ciência.
“Eu era um engenheiro que não entendia nada de passarinhos, mas uma informação que retiro das observações que faço no meu quintal pode ser relevante para algum estudioso. Esse caso do comportamento da ave estufando o peito não é algo comum de ver no dia a dia e pode ser um sinal bacana para alguém”, conclui.
Registro do gaturamo-bandeira e de outras aves era válvula de escape para o engenheiro que vê a observação de natureza como ferramenta para a saúde
Amaury Pimenta/Acervo Pessoal
Alguns parentes
O gaturamo-bandeira não por acaso recebe o nome. Considerada uma ave “nacionalista”, carrega nas penas os tons do Brasil. Nas cidades e nos quintais, seus parentes mais comuns também trazem o colorido às casas.
O gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea), comumente confundido com o fim-fim (Euphonia chlorotica), apresenta as costas e cabeça azuladas e a testa e o peito em amarelo bem forte, se distinguindo da segunda espécie apenas pela ausência da extensão azul na garganta. É um grande imitador e pode, em poucos minutos, emitir o som de 10 a 16 espécies de aves diferentes.
Gaturamo-verdadeiro se difere das outras espécies por não ter penas azuladas na região da garganta
Ananda Porto/ TG
Também se destacando pelo vocal está o cais-cais (Euphonia chalybea), mais um parente dessa família. É uma das espécies de canto mais alto e melodioso. Com cores semelhantes ao gaturamo-verdadeiro, se distingue dele pelo bico grosso e pela área de ocorrência, mais concentrada no Sul e Sudeste do Brasil.
Cais-cais tem mancha amarela acima do bico que não se estende depois dos olhos, diferente dos parentes
Rudimar Narciso Cipriani/Acervo Pessoal
Mudando um pouco os tons e apresentando uma “coroa” bem particular está o gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala). Embora o corpo mantenha os trajes com as tonalidades características, a cabeça apresenta um tom azul claro típico.
Diferente dos parentes, o gaturamo-rei quase não visita regularmente pomares ou plantações de frutas
Luiz Ramassotti/Arquivo Pessoal
Outra espécie diferenciada da família é o ferro-velho (Euphonia pectoralis), uma ave que apresenta as partes superiores, garganta e peito azul-metálicos e a barriga castanha. Canta de forma “rouca”, com a vocalização em um som forte e metálico.
Ferro-velho vive no interior e nas bordas das florestas, sempre à altura da copa
Rudimar Narciso Cipriani