Observar e desenhar: jovem ilustra aves durante “passarinhadas”


Em vez de fotografar, Henrique Mariano, de 17 anos, vai desenhando as espécies durante as trilhas na natureza; imagens vêm acompanhadas de informações sobre a biologia do animal. Arara-azul-de-lear é uma das ilustrações de destaque do jovem Henrique
Henrique Martins/VC no TG
Aos 17 anos Henrique Mariano Martins já sabe o caminho profissional a seguir: ornitólogo (biólogo especialista em aves). Isso porque a observação de espécies tem feito parte da vida dele desde os oito anos de idade, quando ganhou da tia um livro de aves brasileiras.
A prática tem se tornado cada vez mais comum entre jovens, mas a forma que Henrique registra as observações se diferencia da maioria: as aves são ilustradas em detalhes na caderneta, junto a informações sobre a biologia e o comportamento da espécie. “Sempre gostei muito de desenhar. Ilustrar as aves que encontro durante as passarinhadas me permite observar detalhes que a fotografia nem sempre garante. Consigo notar questões específicas de comportamento, registro a diferença nas plumagens, o tamanho da espécie e características do voo, tudo com bastante riqueza de detalhes”, conta.
O observador anota todas as características físicas das aves e detalhes do comportamento
Henrique Martins/VC no TG
Entre as ilustrações e os flagrantes em meio a mata destacam-se as aves de rapina. “Além de aves como uiraçu e gavião-de-penacho, meus outros ‘xodós’ são as ilustrações do crejoá, de um casal de pica-pau-batuqueiro e da arara-azul-de-lear”.
Na lista de preferidos estão ainda ilustrações do martim-pescador. “Se pudesse ficaria horas e horas observando essa espécie. Acho incrível a composição de cores e o tamanho do bico combinado aos hábitos da ave”, diz Henrique, que trabalha com lápis e papel somente. “Tenho algumas ilustrações coloridas, mas a maioria faço preto e branco mesmo, realçando os detalhes da espécie com o grafite”, completa.
Fêmea de martim-pescador-grande também é destaque no acervo
Henrique Martins/VC no TG
Se dependesse do jovem as observações durariam horas, mas a realidade é bastante diferente, um grande desafio enfrentado por Henrique durante as passarinhadas. “Muitas vezes temos poucos segundos para observar a espécie, por isso é preciso ser rápido nas anotações e na ilustração. Tem vezes até que é preferível aproveitar aquele instante somente para admirar a ave”.
Ilustração de taperuçu-preto foi feita a partir de observações em campo
Henrique Martins/VC no TG
Depois das expedições, em Minas Gerais – onde mora com os avós, ou em outras matas do Brasil, o observador continua com as passarinhadas dentro de casa. “Também desenho espécies que não necessariamente observei em alguma passarinhada. Me inspiro em informações e fotografias, além das observações que já fiz ao longo desses anos”, conta o jovem, que também encontra inspiração em grandes nomes da ornitologia brasileira.
“Helmut Sick com certeza é uma grande referência. Foi um grande ornitólogo e um dos principais especialistas em aves do Brasil. O Santos D’Angelo também me inspirou muito, principalmente pelo hábito de ilustrar as espécies em campo”, finaliza.
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Características de voo também são anotadas em detalhes durante as observações
Henrique Martins/VC no TG
Henrique prioriza ilustrações em grafite, mas se arrisca em alguns desenhos coloridos
Henrique Martins/VC no TG
O jovem observa aves desde os oito anos de idade e, desde então, ilustra as espécies
Henrique Martins/VC no TG
Entre tantas observações destacam-se as aves de rapina
Henrique Martins/VC no TG