Polícia de SP apreende duas armas de empresário que ameaçou Lula em vídeo após atirar em alvos; homem foi ouvido e liberado


DHPP foi até a cidade de Artur Nogueira registrar o depoimento do empresário José Sabatini, de 70 anos, numa delegacia da cidade, segundo a pasta da Segurança. Ele foi ouvido na quarta-feira (17) e responde por ameaça, incitação ao crime, calúnia, porte ilegal e disparo de arma de fogo. Lula foi ameaçado pelo empresário José Sabatini, de Artur Nogueira, em vídeo com arma; Polícia Civil de SP investiga o caso
Amanda Perobelli/Reuters e Reprodução/Redes sociais
A Polícia Civil de São Paulo aprendeu na quarta-feira (17) duas armas do homem que gravou e divulgou na internet um vídeo ameaçando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, após atirar várias vezes contra alvos. No mesmo dia, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) saiu da capital e foi até Artur Nogueira (SP), onde ele mora, para ouvi-lo.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (18) ao G1 pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado.
O investigado é o empresário José Sabatini, de 70 anos, que foi liberado após prestar depoimento aos policiais do DHPP numa delegacia da cidade. Além da ameaça ao ex-presidente, ele é suspeito de ter cometido incitação ao crime e calúnia contra Lula, mais porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo. Segundo policiais, Sabatini ainda não teria sido indiciado por nenhum desses crimes.
“Foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa do homem e duas armas em situação regular foram apreendidas”, informa trecho da nota da pasta da Segurança enviada à reportagem.
De acordo com matéria publicada nesta sexta-feira pela Folha de S.Paulo, as armas apreendidas foram um revólver calibre 38 e um espingarda calibre 12 que estavam na casa e no sítio de Sabatini. Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação se o revólver apreendido é a mesma arma que ele usou para ameaçar Lula no vídeo.
Sabatini ou seu advogado não foram localizados pelo G1 para comentarem o assunto. A Secretaria da Segurança não respondeu ao questionamento da reportagem sobre o que Sabatini falou ao DHHP.
Ainda segundo a Folha, o empresário “disse à polícia que não tem a intenção de matar o petista, e que a sua fala se deu em um momento de inconformismo”. Sabatini gravou o vídeo no sábado (13), dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, anular as condenações por crimes de corrupção contra Lula.
Investigação
Homem aponta para a arma e ameaça o ex-presidente Lula em vídeo que circula nas redes sociais
Reprodução/Redes sociais
O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa e está em segredo.
Uma equipe do DHPP composta por delegado e investigadores procurava Sabatini desde domingo (14), quando os advogados de Lula e do Partido dos Trabalhadores denunciaram a ameaça ao Ministério Público (MP) e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que determinou que a polícia investigue.
No vídeo postado por Sabatini nas suas redes sociais, o empresário aparece atirando contra alvos e depois xinga e ameaça Lula, dizendo “você vai ter probrema [sic], hein, cara”, enquanto aponta a mão para a arma.
Na filmagem, ele aparece com uma camiseta azul com o nome do Brasil e a bandeira do país enrolada na cintura. O homem usa óculos escuros, abafadores de som nos ouvidos e luvas.
Na gravação, ele acusa Lula de supostamente desviar R$ 84 bilhões do fundo de pensão dos trabalhadores e pede a devolução do dinheiro. Além disso, fala que não deixará o ex-presidente transformar o Brasil “numa Venezuela”.
Sabatini já foi membro da presidência da Associação Comercial e Empresarial de Artur Nogueira (Acean). Procurada pelo G1, a instituição não quis comentar o caso, mas confirmou que o empresário é quem aparece no vídeo investigado pela polícia.
A empresa dele é uma indústria hidráulica na cidade, que também não quis se posicionar.
Bolsonarista
A deputada Gleisi Hoffmann agradeceu a Doria e ao procurador de Justiça por tomarem providências sobre as ameaças que Lula recebeu
Reprodução/Twitter
Para deputados petistas, que denunciaram Sabatini ao Ministério Público e a polícia, ele é possivelmente um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
No domingo passado, dia seguinte à gravação, bolsonaristas protestaram em algumas cidades de São Paulo pedindo a prisão de Lula e o fim das medidas restritivas de Doria para controlar a pandemia de coronavírus no estado.
Na terça-feira (16), a Justiça de São Paulo proibiu Sabatini de continuar divulgando o vídeo com ameaças a Lula nas redes sociais na internet ou por qualquer outro meio.
Na decisão, o juiz diz que, em caso de descumprimento, o homem será condenado a multa de R$ 1 mil por dia.
VÍDEOS: Veja o que é destaque na região de Campinas
Veja mais notícias da região no G1 Campinas