Programa de suspensão e redução de jornada de trabalho tem 18 mil acordos no 1º mês em Campinas, Sumaré e Indaiatuba


Economista da PUC destaca que medida é importante para preservação de postos de trabalho, mas programa, sozinho, não deve garantir a manutenção após o prazo de vigência da flexibilização. Empresas da região de Campinas voltam a adotar programa de redução da carga de trabalho
O primeiro mês de vigência da nova edição do programa federal de suspensão e redução de jornada de trabalho registrou 18.125 acordos em Campinas (SP), Sumaré (SP) e Indaiatuba (SP). Ao todo, 4.587 empresas e 17.836 trabalhadores aderiram à medida provisória 1.045, que permite flexibilização dos contratos, mas garante estabilidade pelo tempo equivalente em que vigorarem os ajustes.
A diferença entre os números de acordos e trabalhadores envolvidos ocorre porque um mesmo empregado pode fechar mais de um acordo com a empresa, ou alterá-lo.
Na avaliação da economista Eliane Navarro Rosandiski, do Observatório PUC-Campinas, a medida é importante para a manutenção de empregos e ajuda empresários no momento em que não há demanda suficiente, mas o programa sozinho não garante que esses postos serão mantidos no futuro, criando um paradoxo para a economia.
“O programa se torna um ajuste importante para a necessidade que ele (empresáriop) tem. Se não houver redução de custo, vai ter de demitir o trabalhador. Para o empregado, existe uma certa perda salarial, mas a manutenção do emprego. Só que ter uma renda menor em um cenário de subida de preços significa queda no poder de compra, e o empregador precisa que as pessoas continuem comprando para vender e manter os empregos. Esse cenário reduz o efeito dinâmico positivo para retomada de emprego”, explica.
Segundo a economista, a crise mostra-se mais grave do que em 2020 a partir do momento que o auxílio emergencial pago pelo governo federal neste ano é com um valor menor e para menos pessoas, o que diminui o poder de compra da população.
“Dependendo dos setores, provavelmente o empresário não vai encontrar uma demanda para voltar a 100% com a jornada de trabalho”, projeta.
A professora e economista Eliane Navarro Rosandiski em foto de 2019
Vaner Santos/EPTV
Como funciona o programa?
A medida foi publicada em 28 de abril e o prazo para manter a redução de salário e a suspensão dos contratos vale por 120 dias, mas pode ser prorrogado por meio de decreto do governo.
Pelo programa, os trabalhadores que tiverem jornada reduzida (25%, 50% ou 70%) ou contrato suspenso receberão da União um benefício emergencial proporcional ao valor do seguro-desemprego.
Programa de suspensão e redução de jornada; entenda como funciona
Por exemplo, o trabalhador que tiver uma redução de 50% por parte da empresa no salário e na jornada vai receber uma parcela de 50% do que seria o seu seguro-desemprego caso fosse demitido.
Veja abaixo:
Corte de 25% no salário: recebe 75% do salário + 25% da parcela do seguro-desemprego
Corte de 50% no salário: recebe 50% do salário + 50% da parcela do seguro-desemprego
Corte de 70% no salário: recebe 30% do salário + 70% da parcela do seguro-desemprego
Suspensão do contrato de trabalho: recebe 100% da parcela do seguro-desemprego, que pode variar de R$ 1.100 a R$ 1.911,84 (exceto no caso de funcionário de empresa com receita bruta superior a R$ 4,8 milhões – neste caso: recebe 30% do salário + 70% da parcela do seguro-desemprego)
Nenhum trabalhador vai ganhar menos do que um salário mínimo
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no G1 Campinas.