RA de Campinas soma R$ 18 bi em investimentos anunciados

Gabriel Bofinit Araújo
Gabriel Bofinit Araújo
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A Região Administrativa (RA) de Campinas foi a segunda em investimentos anunciados em 2022 no Estado de São Paulo, totalizando R$ 18,3bilhões. O montante representa 16,32% dos R$ 112,1 bilhões que serão injetados por empresas privadas e púbicas em território paulista, de acordo com a Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), divulgada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), ligada ao governo paulista. Trata-se do segundo maior volume de investimento dos últimos 11 anos para o Estado, inferior apenas aos R$ 114,1 bilhões de 2012, quando a Piesp começou a ser feita.

Os investimentos fazem parte dos planos estratégicos das companhias para os próximos cinco a dez anos. Os recursos das empresas sediadas na região são destinados à instalação de novas fábricas e aumento da produção. Dos 17 maiores investimentos a serem feitos no Estado nesse período, quatro são destinados à RA de Campinas, nos segmentos de combustíveis fósseis menos poluentes, biocombustíveis, produção de automóveis e fabricação de papelão.

Para o economista José Augusto Gaspar Ruas, coordenador do curso de Economia das Faculdades de Campinas (Facamp), os investimentos são expressivos e movimentam a região, mas ainda não representam uma retomada da economia. “No aspecto macroeconômico, são localizados, pontuais, representam a oportunidade de modernização de plantas, com menor impacto na geração de emprego e renda”, explica. A concretização dos investimentos, acrescenta, dependerá do desempenho da economia.

A Petrobras está investindo R$ 2,2 bilhões na construção de uma nova unidade de hidrotratamento para a produção de diesel mais puro, com menor quantidade de enxofre e menor índice de poluição após combustão. Ela terá capacidade de produzir 10 milhões de litros por dia desse combustível, conhecido como S-10. Durante a fase de construção, a nova unidade gerará cerca de 3 mil empregos, de acordo com a Petrobras.

“Com esse projeto, todo o óleo diesel produzido na Replan será de baixo teor de enxofre e permitirá o aumento da produção de querosene de aviação”, explica o gerente-geral da refinaria, Rogério Daisson. A unidade é a maior da empresa em capacidade de processamento de petróleo. São 434 mil barris por dia, o equivalente a 69 mil metros cúbicos. A refinaria é responsável por aproximadamente 20% de todo o refino de petróleo no Brasil e atende todo interior de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro, Goiás, Brasília e Tocantins.

Outros investimentos

O maior investimento anunciado em 2022 no Estado foi na RA de Campinas. São R$ 10 bilhões na instalação, em Iracemápolis, de uma fábrica da maior indústria de automóveis chinesa de capital 100% privado. A empresa comprou a planta de uma montadora alemã e destina os recursos para a modernização, que incluirá processos digitais na produção e linha de montagem inteligente. A primeira fábrica da empresa fora da China terá dois ciclos de investimento, um de R$ 4 bilhões até 2025, que deverá criar 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos, e outro de R$ 6 bilhões, de 2026 a 2032.

A marca produzirá apenas veículos eletrificados (híbridos ou 100% elétricos). A montadora já iniciou as vendas no mercado nacional de veículos importados da China e pretende começar a fabricação em Iracemápolis entre o final deste ano e meados de 2024. A planta terá capacidade de produzir 100 mil veículos por ano. “O Brasil é definitivamente nosso pilar estratégico para fazer acontecer a nossa meta para 2025”, afirma o Chief Operating Officer (COO) da montadora no país, Koma Li.

Entre os 90 municípios da Região Administrativa, Piracicaba se destaca com dois grandes investimentos. A maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil e líder na produção de embalagens de papel está investindo R$ 1,6 bilhão em uma nova fábrica de papel ondulado no município, com capacidade de produzir 240 mil toneladas por ano. A previsão é que a unidade comece a funcionar em 2024, gerando 1,2 mil empregos, sendo 700 durante a obra e 500 na operação da planta.

A nova fábrica fica em um terreno de quase 1 milhão de m² com localização estratégica, a cerca de 10 quilômetros de outra planta que a empresa já possui no município. De acordo com o governo paulista, um dos fatores que contribuiu para a escolha de Piracicaba para receber esse investimento foi a antecipação para este ano da construção de um anel viário que estava previsto para 2040. A obra será executada pela Eixo SP, concessionária que administra rodovias na região.

Nova fábrica

Uma fabricante de biocombustíveis anunciou um investimento de R$ 300 milhões em uma planta de biometano produzido a partir de resíduos da produção de etanol em Piracicaba, onde está localizada sua sede. A nova unidade está prevista para ser inaugurada este ano e terá capacidade de produção de 26 milhões de metros cúbicos de gás natural renovável por ano, o suficiente para abastecer aproximadamente 200 mil clientes residenciais.

“Investimentos como esse refletem nossa busca constante por soluções para transição energética global”, diz o vice-presidente de Açúcar e Renováveis da empresa, Francis Queen. A companhia já fechou contratos para fornecer o biometano para duas empresas paulistas. A nova planta está sendo construída próxima à rede de distribuição de gás para viabilizar a entrega.

Essa unidade faz parte de um investimento total de R$ 6 bilhões da companhia no Estado a curto prazo, que inclui a construção de mais quatro fábricas, que entrarão em operação até o final do próximo ano. Juntas, elas ampliarão para cerca de 280 milhões de metros cúbicos a capacidade de produção da empresa de etanol de segunda geração produzido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, o chamado E2G.

Serão duas novas plantas em Valparaíso, onde a companhia tem um parque de bioenergia, e as outras em Guariba e Barra Bonita. De acordo com a companhia, a meta é ter 20 plantas até 2030, aumentando em mais de 50% a capacidade de produção do combustível celulósico até 2030/31, totalizando mais de 1,6 bilhão de litros.

O maior investimento anunciado em 2022 no Estado foi de R$ 26 bilhões por parte da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Entre este ano e 2027, os recursos serão destinados à ampliação do abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. A estatal atende vários municípios da RA de Campinas, entre eles Hortolândia, Paulínia, Itatiba e Paulínia.

No Estado, “quase dois terços dos recursos estão relacionados ao setor de infraestrutura (R$ 72,6 bilhões). Outros 34% distribuem-se entre indústria (R$ 22,5 bilhões) e serviços (R$ 15,4 bilhões). No comércio, os recursos somaram R$ 1,2 bilhão e, na agropecuária, R$ 428 milhões”, apontam os pesquisadores da Seade. A indústria, assim como os serviços, registrou o segundo maior valor anual na série histórica da Piesp.

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