Região de Campinas atinge 8 mil mortes por Covid e infectologista faz alerta: 'péssimo momento'


Levantamento considera dados dos 31 municípios da área de cobertura do G1 Campinas. Metrópole reúne 40,1% do total de vidas perdidas desde o início da pandemia. Sepultamento de vítima da Covid-19, em Campinas
Osvaldo Furiatto
A região de Campinas (SP) ultrapassou a marca de 8 mil mortes pela Covid-19, nesta terça-feira (18), após contabilizar pelo menos 1 mil vidas perdidas em 28 dias, o terceiro menor tempo para este número desde o início da pandemia. Neste período, o total de casos subiu 11% e chegou a 265,9 mil.
Até 17h50, as prefeituras das 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas confirmaram 8.001 óbitos decorrentes da doença, e 265.994 moradores infectados. Os registros ocorrem em meio ao segundo passo da fase de transição do Plano SP sobre atividades econômicas na crise sanitária, o que para a médica infectologista da Unicamp Raquel Stucchi foi “precoce” em meio ao momento que classifica como “péssimo” ao avaliar evolução sobre casos e vidas perdidas – veja abaixo detalhes.
Campinas divulgou até a tarde desta terça-feira 3.211 mortes por Covid-19, o equivalente a 40,1% do total. A cidade confirmou a primeira morte provocada pela enfermidade em 30 de março de 2020.
Depois da metrópole, os outros quatro municípios mais populosas da região são os que têm mais vítimas: Sumaré (SP), Indaiatuba (SP), Americana (SP) e Hortolândia (SP). Em contrapartida, Pedra Bela (SP), com sete óbitos e população estimada em 6,1 mil moradores, tem a menor quantidade.
Ao longo destes 28 dias, somente Pinhalzinho e Tuiuti não divulgaram novos óbitos até a publicação.
Leia mais sobre casos e óbitos em cada município
Acompanhe a evolução da vacinação na região de Campinas
Pressão na saúde e alerta
Dados da Fundação Seade indicam que as internações aumentaram 7%, em uma semana, na área do Departamento Regional de Saúde (DRS-7), com sede em Campinas, mas que abrange 42 municípios. A taxa de ocupação em UTIs Covid-19 chega a 71,4%, enquanto os leitos de enfermaria estão em 50,8%.
O número de novas internações verificado até esta tarde é de 230, a maior desde 17 de abril.
“A opção dessa última flexibilização [Plano SP] foi em um momento bem precoce. Estávamos em um péssimo momento e os números melhoram um pouco, mas continua ruim. Estamos em um platô muito alto de internações e de número de mortes”, alerta a infectologista Raquel Stucchi.
Raquel Stuchhi, médica infectologista da Unicamp
Reprodução/EPTV
Cidades como a metrópole, entretanto, continuam com a rede de saúde sob pressão para garantir assistência aos pacientes com Covid-19. Campinas voltou a registrar nesta tarde fila de espera por UTI.
“Neste momento, a situação está sendo mantida sob controle. Porém, os números estão estacionados em um patamar alto, o que pode ocasionar variações como está. É importante que as pessoas mantenham todos os cuidados, como uso de máscara, distanciamento e que continuem evitando aglomerações”, destacou o secretário de Saúde, Lair Zambon, por meio de nota.
Vacinação
A campanha de vacinação contra a Covid-19 imunizou somente 10,3% da população da região com as duas doses necessárias para garantir proteção adequada contra a enfermidade.
“A vacinação realmente poderia ajudar, se fosse mais rápida. Às vezes, a pessoa vê que nos Estados Unidos liberou o uso de máscara para quem se vacinou, e acha que é aqui também”, alerta Rachel sobre a necessidade da população manter as medidas de distanciamento e prevenção.
Evolução
As primeiras 1 mil vidas perdidas foram verificadas nos quatro primeiros meses da pandemia, em 2020. Depois disso, no intervalo de 40 dias, este número dobrou. O total de óbitos subiu para 3 mil em dezembro, enquanto que o indicador de 4 mil histórias interrompidas foi batido em 16 de fevereiro.
A região alcançou 5 mil mortes em 19 de março e, após 18 dias, superou os 6 mil em 5 de abril. Após 16 dias, chegou a 7 mil vítimas; e neste momento, transcorrido período de quatro semanas, tem 8 mil.
Vídeos: tudo sobre Campinas e região

Veja mais notícias da região no G1 Campinas.