Retorno presencial gera período de até duas semanas sem aulas na rede de ensino de Paulínia, SP


Programa montado pela Secretaria Municipal de Educação é alvo de reclamação dos pais, que dizem que alunos foram prejudicados. Pedagoga critica método, e secretária prevê soluções. Após retomada presencial das aulas, ensino online piora e gera reclamação em Paulínia
O retorno das atividades presenciais na rede municipal de ensino de Paulínia (SP) gerou um hiato de até duas semanas sem aulas. O período longo sem rotina escolar, criticado por uma pedagoga, é admitido pela Secretaria de Educação, que busca formas de reduzir os impactos.
No programa desenvolvido pelo município, os alunos frequentavam as aulas presenciais por uma semana e ficavam outras duas sem ir às escolas, mas com atividades remotas. No entanto, mães afirmam que não há acompanhamento de professores para os ensinamentos online.
Em um segundo momento, os alunos passaram a ir para as escolas em semanas alternadas, o que reduziu o período sem atividades presenciais de duas para uma semana.
O filho de Vânia Francisco é asmático e diabético, doenças que são comorbidades consideradas para a Covid-19. Por isso, ele nem tem opção de voltar às aulas na escola, já que demandaria uma cuidadora. O problema é que, sem as atividades presenciais, ele ficou sem o acompanhamento de professores.
“A professora dele dá aula para duas turmas, no período da manhã e no período da tarde, então ele não pode. Foi o que foi passado para a gente, que ela não vai poder dar a aula online porque eles vão estar presenciais”, explica Vânia.
“Foi montado uma sala virtual, porém sem a presença da professora. A gente tem que montar as atividades, tirar foto e mandar para a professora corrigir se está certo ou errado, porém sem a presença dela”, lamenta a mãe do aluno.
Ensino em Paulínia foi criticado por mães de alunos após retomada presencial
Jefferson Barbosa/EPTV
Secretaria busca solução
A secretária Municipal de Educação, Meire Mulher, afirma que o problema é complexo porque os professores foram demandados para as aulas presenciais, o que dificulta o acompanhamento remoto. Ela ressalta que estuda opções para minimizar a situação.
“Não é que não esteja tendo atividades. As atividades estão sendo colocadas na plataforma, porém nós ficamos em uma situação bastante complexa, porque o professor está na sala de aula dando aula ou está em casa fazendo aula online para os alunos. Então nós estamos finalizando algumas opções no sentido de minimizar e atender tanto a aquelas crianças que vão para a escola quanto às que não vão”.
A secretária também garante que, quando houver o retorno integral dos estudantes ao ensino presencial, haverá um período de reforço no aprendizado.
“E com o retorno futuro integral nós vamos também ter uma ação de recuperação, uma ação de trabalho com essas crianças que por algum motivo não acompanharam devidamente no sentido sempre de suprir toda essa falta que a pandemia nos colocou”
Ao todo, a rede municipal conta com 17 mil alunos inscritos em 58 escolas municipais e 29 entidades parceiras. São 1850 professores contratados.
Pedagoga critica método
Para a pedagoga Débora Corigliano, trata-se de um erro de estratégia manter as crianças por uma ou duas semanas foram do contato com a rotina escolar.
“É preferível que essa criança tenha um estímulo, uma rotina escolar, mesmo que online, mas com muito mais frequência. Isso sem dúvida é muito melhor do que ficar esse espaço de uma semana ou duas sem ter esse contato com a aprendizagem, o estímulo, com tudo que a escola pode proporcionar”.
“Eu acho que a escola deveria remanejar isso. Ao invés dessas crianças irem uma semana e faltarem duas, elas irem menos tempo e mais vezes. Essa decisão, ao meu ver, não foi muito correta quando se pensou nas crianças”, sugere.
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