Sem falta, mas no limite: hospitais privados de Campinas relatam estoque de 'kit intubação' para 7 dias, diz Rede Mário Gatti


Presidente da autarquia também afirma que cidade tem pouca capacidade para abrir novos leitos e, por isso, transmissão da Covid-19 precisa cair. ‘Essa semana foi terrível, uma guerra’. Não há falta de remédios para intubação em Campinas, afirma presidente da Rede Mário Gatti
“Essa semana foi terrível, foi uma verdadeira guerra”. A forma como Sérgio Bisogni, presidente da Rede Mário Gatti, descreve a luta dos profissionais de saúde para atender os pacientes internados com Covid-19 em Campinas (SP) dá a dimensão da pressão que o sistema de saúde vive neste momento da pandemia — o pior desde que o novo coronavírus começou a circular na cidade.
Além do esforço dos profissionais de saúde, a pressão recai sobre a oferta de medicamentos para intubação e sobre a possibilidade de abertura de novos leitos.
Segundo Bisogni, os hospitais públicos e particulares relatam que não há falta, até agora, do ‘kit intubação’, mas as entregas chegam aos poucos e em quantidades menores.
“Quanto ao kit intubação, ontem nós tivemos uma reunião no Salão Vermelho da prefeitura com os diretores-técnicos da maioria dos hospitais, inclusive os privados, aqui em Campinas. Essa reunião foi comandada pelo secretário de Saúde, Lair Zambon, e todos são unanimes em falar o seguinte: não está faltando medicação, o que está acontecendo é que as empresas estão no limite da produção”.
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“Então compras que a gente provisionava para 30, 40 dias estão sendo entregues para 10 dias, 15 dias. Os hospitais privados relataram que eles têm a provisão para cinco a sete dias. A Rede Mário Gatti hoje tem provisão para torno de 15 dias. Então os remédios estão aí, mas nós estamos preocupados porque não conseguimos ter eles em mãos, vai chegando aos poucos. Mas por enquanto não tem faltado”, completou Bisogni.
Sérgio Bisogni, presidente da Rede Mário Gatti, durante entrevista ao EPTV 1 deste sábado (27)
Reprodução/EPTV
Abertura de novos leitos
A Rede Mário Gatti é uma autarquia municipal que administra os hospitais Ouro Verde e Dr. Mário Gatti, além das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), do Samu e, provisoriamente, o Hospital Metropolitano, que é particular, mas foi requerido pela prefeitura para abertura de novos leitos.
Bisogni elenca a dificuldade de contratação de mais profissionais de saúde como o principal entrave para criação de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e aponta para o alerta de que a capacidade de abertura está no limite.
“O mais importante, talvez mais preocupante, é que nós estamos chegando no limite de abertura de leitos, razão pela qual houve endurecimento, as restrições aumentaram essa semana na tentativa de diminuir a mobilização da população e diminuir a expansão da infecção virótica por Covid”.
A prefeitura trabalha com a previsão de abertura de mais 10 leitos de UTI no Hospital Mário Gatti até o fim da semana que vem, além de 16 de enfermaria no Ouro Verde. Ambas dependem da chegada de novos profissionais de saúde.
Hospital de campanha municipal
Outra fonte de leitos de enfermaria, o hospital de campanha na sede dos Patrulheiros será reaberto quanto a prefeitura conseguir comprar um tanque de oxigênio. Bisogni afirma que a administração está com dificuldade em encontrar o equipamento no mercado.
A unidade vai funcionar com 36 leitos de enfermaria. “O que está retardando a abertura do hospital de campanha é a dificuldade em conseguirmos um tanque de oxigênio. A estrutura está montada, as camas estão lá, as equipes que vão tocar já [estão] em contratação”.
Fila por leito
A fila de pacientes por leitos de UTI ou enfermaria chegou a 185 na manhã deste sábado. Segundo Bisogni, são 86 pessoas que precisam de vagas em enfermarias (para casos menos graves) e 97 para UTI. Até ontem, o número era de 193.
“Isso no decorrer do dia vai se modificando a medida que se tem alta e tudo vai se realocando. Mas nós temos todos [os pacientes] assistidos. Por exemplo, doente que está intubado em enfermaria, ele tá assistido, mas não é o local ideal, ele tem que ser transferido para UTI. Isso que explica essa fila. E a pressão continua intensa”.
Apoio público aos profissionais de saúde
Ao fim da entrevista, Bisogni parabenizou os profissionais da linha de frente da pandemia pelo trabalho durante esta semana “de guerra”.
“Elogiar e dar um apoio a todos os profissionais de saúde. Essa semana foi terrível, foi uma verdadeira guerra. Eles estão demonstrando uma capacidade incrível. Então publicamente eu queria parabenizar todos os profissionais de saúde que estão envolvidos nessa luta da Covid”.
Assista e entrevista completa
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