Sindicato aponta déficit de 800 trabalhadores dos Correios na região de Campinas; estatal nega


Entidade que representa os funcionários afirma que, desde 2011, não há contratações nas 20 cidades da RMC. Moradores lamentam atraso nas encomendas e há até quem ofereça o próprio endereço para que amigos possam receber mercadorias. Sindicato aponta déficit de 800 trabalhadores dos Correios na região de Campinas
Em nota, o Correio apontou que, durante o ano de 2020, houve um aumento de 20% no fluxo de encomendas em comparação ao ano anterior. Entretanto, afirma que a região de Campinas têm cerca de 2,4 mi funcionários e não falta mão de obra para atender a população.
Um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Correios de Campinas aponta que as unidades da empresa nas 20 cidades da Região Metropolitana (RMC) somam um déficit de cerca de 800 trabalhadores. A estatal nega que a falta de servidores. Já moradores que dependem do serviço reclamam de atrasos e relatam que a informação de há pouca mão-de-obra é revelada diariamente.
Um deles é o analista de sistemas Marcos Fernando, que enfrentou, neste sábado (27), o segundo dia seguido de fila no centro de distribuição de Campinas.
“Eu pedi informação e me falaram que só tinha uma pessoa atendendo. Como você coloca uma empresa que já vem dando problema há muito tempo e ela não tem o devido respeito com o cidadão?”, questiona.
Outro morador que enfrentava a fila de meio quarteirão era o músico Bruno Casseta. “Essa enrolação é desde sempre. Eles não entregam nunca no meu bairro. (…) Campinas inteira é área de risco para eles”, ironiza.
Fila em agência dos Correios para retirada de encomendas
Reprodução/EPTV
Sem contratações
Segundo Mauro Ramos, diretor do sindicato, a estatal não contrata novos servidores para a região de Campinas desde 2011. A situação se agrava por conta com as demissões e afastamentos durante a pandemia.
“Está praticamente inviável. O Correio tenta maquiar a situação, convoca os trabalhadores mesmo em meio à pandemia para trabalhar. Querem agora que os trabalhadores trabalhem 15 dias sem folga”, afirma.
Já a estatal admite que houve um aumento de 20% no fluxo de encomendas em em 2020, na comparação com o ano anterior, mas defende que a região de Campinas têm cerca de 2,4 mil funcionários e não falta mão-de-obra para atender a população.
A informação, no entanto, diverge da que o empresário Henrique Marconato recebeu da ouvidoria da própria empresa.
“A resposta dos Correios foi que não há mão-de-obra, não há recursos humanos para fazer essa entrega e que não tem nem previsão de concurso novo. A resposta dos Correios foi: é isso, se vira”.
Morador de Jaguariúna, o empresário chega a passar o endereço do comércio dele para clientes e amigos que moram em bairros onde a estatal não realiza entregas.
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