Vacina contra Covid-19: região de Campinas ultrapassa 1 milhão de doses aplicadas em 116 dias


Quantidade imunizou com ao menos uma dose 18,7% da população nas 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas. Médica vê risco de piora da pandemia, enfermeira que recebeu 1ª vacina no interior paulista lembra emoção, e economista alerta sobre ritmo da campanha. Perguntas e respostas para quem já tomou a vacina contra a Covid-19
A região de Campinas (SP) ultrapassou a marca de 1 milhão de vacinas aplicadas contra a Covid-19 nesta sexta-feira (14), de acordo com o sistema Vacivida, do governo do estado.
Ao todo, foram necessários 116 dias de campanha de vacinação nos 31 municípios da área de cobertura do G1 Campinas desde que o primeiro imunizante disponível para o interior paulista chegou ao braço da enfermeira Liane Tinoco durante cerimônia com aglomeração no Hospital de Clínicas da Unicamp, em 18 de janeiro. Juntas, as cidades têm população estimada em 3.472.383 habitantes.
O levantamento atualizado nesta tarde mostra 1.007.358 vacinas aplicadas, com seguinte perfil:
651.627 moradores receberam ao menos a primeira dose, o equivalente a 18,7%;
355.731 moradores já foram imunizados com a segunda dose, o que corresponde a 10,2%;
Vacina contra Covid-19: acompanhe a evolução da imunização na região de Campinas
As vacinas usadas na região são CoronaVac, entregue pelo Instituto Butantan, e AstraZeneca, envasada pela Fiocruz. Veja abaixo os números de doses aplicadas em cada cidade.
Campinas está perto de registrar 20% da população com uma dose da vacina, e neste momento da campanha a imunização é direcionada para pessoas com mais de 50 anos que tenham problemas de saúde. A prefeitura lançou pela manhã um formulário para orientar sobre as comorbidades que se enquadram nesta etapa da vacinação. Já a segunda dose alcançou 11,62% dos moradores.
Considerando-se o total de doses aplicadas e proporção em relação à população, a cidade que mais vacinou na região é Santo Antônio do Jardim, com 26,92% dos moradores com uma dose, e 13,52% com duas. Já os índices mais baixos até esta publicação foram verificados em Louveira, onde 11,65% dos habitantes receberam pelo menos uma vacina, e 6,37% já estão protegidos com duas.
A atualização do sistema Vacivida é diária e, por isso, os números apresentados no Vacinômetro de SP podem ser atualizados em momentos diferentes em que são feitas as divulgações pelas prefeituras.
Vacina da AstraZeneca contra Covid-19 é aplicada em Campinas
Osvaldo Furiatto
Riscos e reflexos
O ritmo de vacinação nos próximos meses segue como incógnita. Enquanto isso, as 31 cidades da região já lamentam 7,9 mil vidas perdidas desde o início da pandemia: caso cada uma fosse homenageada com um minuto de silêncio, a região teria de permanecer cinco dias em silêncio.
A médica infectologista da Unicamp Raquel Stucchi avalia que, neste momento, os municípios seguem com números elevados de casos e mortes, o que configura platô elevado na curva. A fase de transição do Plano SP está mantida pelo menos até 23 de maio, quando será reavaliada pelo estado.
“Com a lentidão da vacinação e circulação intensa das pessoas nos últimos dias, temos chance de recrudescimento em duas, três semanas”, alerta a infectologista.
Guia: veja quem pode tomar a vacina hoje em Campinas
Orgulho e cuidados
Enquanto a vacina é ainda tratada como sonho pela maioria da população brasileira, para a enfermeira Liane Tinoco já virou “uma lembrança de muito orgulho”. Nem por isso, entretanto, ela se permite ter menos cuidados: perdeu amigos e colegas de trabalho que também estavam na linha de frente para enfrentamento à Covid-19 e, ao contrário, não tiveram tempo para receber a primeira dose.
“Que as pessoas tenham consciência e responsabilidade de continuar com todas as precauções e distanciamento social até que a vacina chegue para todos. Acreditar que a vacina salva vidas e que em breve teremos o maior número de imunizados para o controle desse vírus, para voltarmos a ter uma vida normal, destaca.
Profissional do HC da Unicamp recebe 1ª dose de vacina contra Covid-19 em Campinas, no interior de SP.
Reprodução/GloboNews
Liane, inclusive, destaca que estava movida pela emoção no dia da primeira vacina, mas admite que a aglomeração da cerimônia gerou preocupação aos profissionais do hospital. “Realmente falamos e ouvimos tanto para manter o distanciamento social, e no momento acabamos por não seguir a regra”, conta. Na ocasião, políticos, profissionais de saúde e jornalistas ficaram misturados, dentro do hospital, sem nenhuma organização para o distanciamento preconizado pelos órgãos sanitários.
Na ocasião, o HC informou que a solenidade foi realizada em local que não abrigava nenhuma UTI Covid-19, sem trânsito de funcionários entre as dependências e possui uma área de 400 metros quadrados e um pé direito de 12 metros de altura, com sistema de exaustão superior. Além disso, garantiu que antes todos os funcionários presentes tiveram testes negativos para a doença.
Dificuldades e otimismo
Médica infectologista do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas, Valéria Almeida lembra que os dois primeiros meses foram marcados pela dificuldade em obter doses dos imunizantes. “Chegamos a ficar mais de 15 dias sem ter notícia da chegada de doses em fevereiro.”
Atualmente, entretanto, ela comemora o envio semanal de vacinas, entregues pelo governo estadual ao Departamento Regional de Saúde (DRS-7), que faz a distribuição aos municípios. A metrópole não teve falta de doses para cumprir o intervalo da segunda dose, como ocorreu em outros locais.
“No começo a gente teve bastante restrição de vacinas, uma dificuldade bem grande em manter a vacinação diária. Mas, nas duas últimas semanas, a gente tem visto que, ainda que não tenhamos a da CoronaVac, a gente tem recebido da Fiocruz e pensa em ter mais pontos de vacinação”, ressalta.
Confira, abaixo, o gráfico com um comparativo entre o número de moradores que foram imunizados com ao menos uma dose e aqueles que receberam as duas doses da vacina, até a atualização no Vacinômetro de SP nesta sexta-feira.
Caminho para enfrentar crise
O economista da PUC-Campinas Roberto Brito de Carvalho considera que a marca de 1 milhão de doses aplicadas é importante, ao salientar que a imunização é “o caminho correto” para enfrentar a crise sanitária. Segundo ele, a aceleração é imprescindível não somente para evitar óbitos e internações decorrentes da Covid-19, mas, ainda, permitir recuperações de atividades econômicas.
“Ela ainda está distante do ideal, continua lenta, e isso afeta a economia. Neste momento a pandemia está fora de controle e seria fundamental acelerar este processo”, explica ao ponderar que uma situação menos grave pode ser verificada quando a região tiver pelo menos o dobro de imunizados.
Para o economista, há uma perspectiva de que a oferta de vacinas seja ampliada para a população brasileira, uma vez que as farmacêuticas devem se concentrar no mercado nacional em função do porte e após atendimento de demandas dos Estados Unidos e países europeus, por exemplo.
Vacinação contra a Covid-19 em Campinas
Osvaldo Furiatto
Cronologia da vacinação
O dia 18 de janeiro de 2021 marcou o início da vacinação contra o coronavírus no interior de São Paulo, com a aplicação da primeira dose em uma técnica de enfermagem do HC da Unicamp. Desde então, os imunizantes disponíveis foram distribuídos e a campanha, durante a 1ª fase, atendeu profissionais da saúde, com prioridade para quem atua na linha de frente, e idosos.
Em 10 de fevereiro, a região começou a aplicar a segunda dose nos moradores que receberam a vacina CoronaVac, com intervalo de 21 a 28 dias entre as duas aplicações. No caso da vacina AstraZeneca, o intervalo é de 90 dias, e a dose complementar começou a ser aplicada em abril.
O governo do estado iniciou a divulgação do andamento da vacinação, incialmente, por pessoas imunizadas. Em 22 de fevereiro, os dados passaram a considerar a divulgação de primeiras e segundas doses separadamente.
No dia 5 de abril, profissionais de segurança pública e administração penitenciária começaram a ser imunizados na região. Uma semana depois, foi a vez dos trabalhadores da educação.
Gestantes, puérperas e lactantes da área da saúde começaram a receber as doses no dia 5 e, nesta mesma data, foi iniciada ação voltada ao o último grupo de idosos.
Grupos de pessoas com comorbidades recebem a primeira dose desde de 10 de maio.
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