Vendedor que danificou sorveteria após pedido para que usasse máscara vira réu em Campinas


Justiça aceitou denúncia por ameaça, tentativa de lesão corporal e denunciação caluniosa contra Rodrigo Ferronato. Caso ocorreu em setembro de 2020 e câmera de segurança registrou atitude. Homem se descontrolou após comerciante pedir para ele usar máscara corretamente em sorveteria de Campinas
Reprodução/EPTV
A 4° Vara Criminal de Campinas (SP) aceitou a denúncia contra o vendedor Rodrigo Ferronato, acusado por danificar uma sorveteria após a proprietária pedir para ele usar máscara de forma correta. Ferronato responderá por ameaça, tentativa de lesão corporal e denunciação caluniosa.
A denúncia também incluía a suspeita de desrespeitar determinação do poder público para impedir a propagação de doença contagiosa, mas o crime foi descartado, segundo a decisão de 25 de março.
O caso ocorreu em 12 de setembro de 2020, mas imagens da confusão repercutiram nas redes sociais dois dias depois. O caso foi investigado por meio de um inquérito por descumprimento de medida sanitária no 4º Distrito Policial (DP) da cidade, enquanto a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher apurou crimes de ameaça e injúria.
Na época, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o vendedor reconheceu que teve uma reação exagerada, mas disse que estava, sim, usando máscara corretamente. Ele também afirmou ter sido agredido antes pela comerciante, com tapas no braço, empurrões e socos, o que a mulher negou.
No entanto, o vídeo do circuito de segurança da sorveteria, instalada no bairro Flamboyant, revela, além do fato de Rodrigo estar sem máscara do lado de fora, que não houve as agressões relatadas por ele.
O G1 tentou contato por telefone com Rodrigo Ferronato para comentar o fato da Justiça aceitar a denúncia contra ele e aguarda retorno para atualizar a reportagem.
Segundo o advogado da proprietária da sorveteria, Guilherme Martins, Ferronato pode ser condenado a 9 anos de reclusão na soma das penas dos três crimes.
Reveja, abaixo, a reportagem do EPTV 1 sobre o caso:
Imagens da confusão em sorveteria de Campinas são divulgadas
Confusão gravada
As imagens do circuito de segurança mostram que o rapaz entra na sorveteria com a máscara cobrindo apenas a boca. Em seguida, quando ele leva o produto até o caixa, a comerciante se recusa a realizar a venda caso o cliente não use o item de proteção corretamente.
Pouco tempo depois, ele faz uma ligação pelo celular e tenta filmar a mulher. Ela tenta evitar, com tapas na mão, que ele gravasse o vídeo.
Após a proprietária se recusar a vender o produto ao homem, ele começou uma sequência de agressões verbais, chamando a funcionária de “palhaça”, “lixo”, apontando o dedo constantemente e falando uma série de palavrões e ameaças.
“Faz alguma coisa comigo para você ver se eu não meto a mão na sua cara. Fala um ‘a’ para você ver o que você vai arrumar. Fica olhando aí que você vai ver o que você vai arrumar. Está achando que é comédia aqui? Você não sabe onde você está não”, disse Ferronato, em vídeo gravado por um dos clientes.
‘Foi uma agressão totalmente descabida’, diz Rodrigo Farias Ferronato
Reprodução/EPTV
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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