Indaiatuba terá projeto inédito de Centro de Pesquisa em Saúde Mental

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Investir em saúde mental nunca foi tão necessário como nos dias de hoje. Com o advento da pandemia de Covid-19, as pessoas passaram a enxergar com mais clareza que cuidar da saúde mental é algo indispensável e primordial para ter qualidade de vida. Em São Paulo, segundo a Secretaria da Saúde, 12% de toda a população do Estado necessita de algum tipo de acompanhamento, seja ele contínuo ou eventual. Somente no ano passado, 233 mil pessoas procuraram ajuda em ambulatórios e hospitais. Em 2021, esse número era 230,5 mil.

Dados relevam ainda que 3% da população no Estado sofre com transtornos mentais severos e persistentes; enquanto que mais de 6% da população no estado apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool.

Diante da demanda crescente e a necessidade de garantir à população cuidados mentais mais efetivos e acessíveis, o Centro Universitário Max Planck (UniMAX), do Grupo UniEduK, e a Prefeitura de Indaiatuba lançam na próxima quarta-feira, 15 de março, às 19h, o novo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM).

O projeto inovador será desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Universidade de Yale, a Universidade de Harvard, o Instituto Karolinska; além da iniciativa privada por meio do Banco Industrial do Brasil.

Nos próximo dez anos, o CISM tem por objetivo o desenvolvimento de tecnologias de saúde mental digital e implementação de intervenções efetivas e escaláveis para transformar e aumentar a acessibilidade em tratamentos de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS), em Indaiatuba, em parceria com os profissionais da rede pública, docentes e alunos UniFAJ.

“O CISM é um projeto inovador no Brasil, que certamente será um divisor de águas no que diz respeito à saúde mental. Nos próximos anos, graças a parceria público-privado, vamos ter um grande avanço tanto na capacitação dos nossos alunos e profissionais da área quanto na oferta de tratamentos mais avançados e assertivos para os moradores de Indaiatuba”, ressalta a diretora da UniMAX, professora Luciana Mori.

O CISM atuará basicamente em três eixos. A primeira área envolve a necessidade de avançar nas pesquisas em Neurociência de Precisão em saúde mental. Isso será vinculado à Coorte Transgeracional Brasileira de Alto Risco para Transtornos Mentais, que permite pesquisadores e estudantes em ciências de saúde mental de ponta investigar os fatores genéticos e ambientais que precipitam transtornos mentais em um estudo com 2.511 crianças e adolescentes acompanhados por mais de uma década.

A segunda área tem como foco desenvolver e testar novas tecnologias de intervenção em transtornos mentais, utilizando de soluções digitais e criando hubs de inovação no Estado de São Paulo. Entre estas iniciativas está o desenvolvimento de um aplicativo para tratamento de alcoolismo por meio do uso de um bafômetro portátil acoplado ao celular do paciente, premiando o tempo de abstinência de forma progressiva. O terceiro eixo vai atuar sobe a perspectiva de reduzir o tempo entre a descoberta de intervenções eficazes em saúde e sua utilização na prática clínica, percurso que hoje leva em torno de 20 anos. O CISM desenvolverá estudos com foco na implementação de intervenções de saúde mental sofisticadas, como terapia cognitivo-comportamental pela internet e
visitas domiciliares focadas no apego seguro de mães e bebês ao SUS.

O embrião do CISM tem sua origem a partir de pesquisas iniciadas em 2009, dentro do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento (INPD), com recursos do CNPq e da Fapesp, que estuda o neurodesenvolvimento no contexto do campo emergente da neurociência populacional. Com objetivo de integrar a investigação das neurociências com métodos de amostragem da epidemiologia e entender diferenças individuais relacionadas aos transtornos mentais, os resultados alcançados pelo Instituto com base em evidências, com relevância clínica e social, são transformados em modelos que podem ser empregados por agências governamentais ou diferentes segmentos da sociedade, como é o caso do Projeto Conexão — Mentes do Futuro e do Programa Primeiro Laços.


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