O auditor aposentado, Alberto Toshio Murakami, elucida que atuar em mercados turísticos internacionais amplia oportunidades de crescimento, mas também expõe as empresas a um conjunto complexo de regras comerciais, fiscais e trabalhistas que variam de país para país. Nesse cenário, o compliance deixa de ser apenas uma exigência legal e passa a ser um fator estratégico de proteção da operação e da reputação da marca. Adotar boas práticas de compliance é essencial para empresas do setor turístico que desejam operar de forma sustentável e segura em ambientes regulatórios diversos.
O turismo envolve múltiplos atores, como hotéis, operadoras, transportadoras, guias e plataformas digitais, o que aumenta a complexidade das relações contratuais e das obrigações regulatórias. Sem controles adequados, pequenas falhas podem se transformar em problemas jurídicos e financeiros relevantes.
Entender esses cuidados é fundamental para evitar riscos que podem comprometer contratos, licenças e a continuidade dos negócios.
Principais riscos regulatórios no setor de turismo internacional
Empresas que atuam em diferentes países precisam lidar com exigências relacionadas a licenças de operação, recolhimento de tributos locais, cumprimento de normas trabalhistas e respeito a legislações de defesa do consumidor. Junto a isso, contratos com parceiros locais devem observar regras específicas de cada jurisdição.

Alberto Toshio Murakami apresenta que um dos riscos mais comuns é a informalidade em parte da cadeia de serviços, o que pode gerar responsabilidade solidária para empresas que contratam fornecedores irregulares. Também são frequentes problemas relacionados à correta tributação de receitas geradas em diferentes países, especialmente quando há intermediação digital.
A falta de padronização de processos internos dificulta o controle dessas obrigações e aumenta a exposição a penalidades e disputas judiciais.
Importância de políticas internas de compliance e conduta
Para reduzir esses riscos, é fundamental que a empresa adote políticas internas claras de compliance, que orientem a atuação de gestores e colaboradores em todas as unidades e parcerias internacionais. Essas políticas devem abranger temas como contratação de fornecedores, práticas comerciais, registros financeiros e relacionamento com autoridades.
A padronização de princípios éticos e operacionais permite que a empresa mantenha um nível mínimo de conformidade, mesmo em ambientes regulatórios distintos. Isso não substitui a adaptação às regras locais, mas cria uma base comum de comportamento e tomada de decisão.
Alberto Toshio Murakami explica ainda que políticas bem definidas facilitam a identificação de desvios e a aplicação de medidas corretivas antes que problemas se agravem.
Papel da auditoria no monitoramento contínuo das operações
O compliance eficaz depende de acompanhamento permanente, e não apenas de verificações pontuais. Auditorias periódicas permitem avaliar se as políticas internas estão sendo efetivamente aplicadas e se os processos permanecem alinhados às exigências legais.
Segundo Alberto Toshio Murakami, a auditoria no setor turístico deve considerar não apenas aspectos financeiros, mas também a conformidade contratual, a regularidade dos fornecedores e a adequação dos registros operacionais. Esse olhar abrangente ajuda a identificar riscos ocultos em etapas da operação que nem sempre recebem atenção prioritária.
O monitoramento contínuo também permite ajustar rapidamente procedimentos diante de mudanças na legislação ou no modelo de negócio, algo comum em mercados turísticos dinâmicos.
Como reduzir riscos em operações internacionais de turismo?
Entre as principais medidas para fortalecer o compliance estão a realização de due diligence em parceiros locais, o treinamento regular das equipes e a criação de canais internos para reporte de irregularidades. Essas ações contribuem para criar uma cultura organizacional orientada à conformidade.
É importante que a alta gestão esteja envolvida na implementação dessas práticas, demonstrando que o compliance é parte da estratégia da empresa e não apenas uma exigência burocrática. Esse comprometimento facilita a adesão das equipes e fortalece os controles internos, destaca Alberto Toshio Murakami.
Outra recomendação é a revisão periódica dos contratos e das estruturas societárias utilizadas em cada país, garantindo que estejam adequadas às normas vigentes e aos objetivos da operação.
Compliance como proteção da marca e do crescimento sustentável
No setor de turismo, a reputação é um ativo fundamental. Problemas legais, autuações fiscais ou denúncias de irregularidades podem impactar diretamente a confiança dos consumidores e dos parceiros comerciais, com efeitos duradouros sobre a imagem da empresa.
Investir em compliance é investir na proteção do negócio e na continuidade das operações em mercados cada vez mais competitivos e regulados. Alberto Toshio Murakami resume que ao adotar práticas sólidas de governança, empresas do setor turístico aumentam sua capacidade de crescer de forma estruturada, reduzindo riscos e fortalecendo sua posição em diferentes países.
Autor: Alexey Popov
