Como engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich expõe que o Brasil, apesar de possuir uma das maiores reservas de água doce do planeta, enfrenta escassez crônica para milhões de cidadãos devido à ineficiência na distribuição. Assim, a redução de perdas reais e aparentes é o caminho mais rápido para universalizar o acesso à água potável sem a necessidade de novas captações. O controle rigoroso do volume produzido versus o volume faturado exige tecnologia e gestão integrada.
A natureza das perdas reais
As perdas reais correspondem à água que vaza nas adutoras e redes de distribuição antes de chegar ao cavalete do consumidor. O desgaste natural das tubulações, a pressão excessiva na rede e a falta de manutenção preventiva geram um volume desperdiçado que poderia abastecer cidades inteiras. A reposição de ativos antigos é uma demanda constante e onerosa.
Odair José Mannrich explica que a setorização e o controle de pressão são as medidas mais eficazes para conter esses vazamentos. A instalação de válvulas redutoras e a divisão da rede em macromedidores permitem isolar trechos problemáticos e atuar com precisão cirúrgica, otimizando os recursos disponíveis.
A detecção precoce de vazamentos requer equipamentos especializados que identificam variações de pressão e fluxo em tempo real. Sensores acústicos posicionados em pontos estratégicos da rede captam o som característico da água escapando por fissuras, permitindo a localização exata do problema antes que ele se torne um rompimento catastrófico.
Estratégias de redução de perdas aparentes
Diferentemente dos vazamentos físicos, as perdas aparentes envolvem falhas de medição, erros de leitura e ligações clandestinas. A água chega ao destino, mas não é faturada, gerando prejuízo financeiro direto para as concessionárias e distorcendo os indicadores de eficiência operacional do sistema.
A substituição de hidrômetros vencidos e a macromedição setorial são fundamentais para reverter esse quadro, conforme expressa Odair José Mannrich. A tecnologia de leitura remota e a inteligência artificial na detecção de fraudes aceleram o retorno sobre o investimento e aumentam a receita das empresas de saneamento.

A troca programada de hidrômetros a cada cinco anos garante a precisão das medições e evita subfaturamentos cumulativos que comprometem o equilíbrio financeiro das concessionárias. Sistemas de telemetria transmitem os dados de consumo diretamente para centrais de operação, eliminando erros humanos e agilizando a identificação de anomalias.
Impacto econômico e ambiental
Reduzir perdas significa economizar a energia gasta no bombeamento e tratamento da água que nunca será consumida. A pegada de carbono do setor de saneamento diminui proporcionalmente à eficiência da rede, alinhando a operação aos compromissos climáticos globais e reduzindo custos operacionais.
Com esse panorama, Odair José Mannrich reforça que o dinheiro economizado com a redução de perdas pode ser reinvestido na expansão da rede para áreas desassistidas. A eficiência hídrica é, portanto, um vetor de justiça social e de sustentabilidade financeira para o setor de saneamento básico.
Cada litro de água recuperado representa menos energia elétrica consumida nas estações de bombeamento e tratamento, gerando economia direta nas contas das concessionárias. A redução do volume captado dos mananciais também diminui o impacto ambiental da operação, preservando ecossistemas aquáticos sensíveis.
O papel da regulação e da tecnologia
O marco legal do saneamento estabeleceu metas rígidas para a redução do índice de perdas, punindo as concessionárias que não cumprirem os prazos. A pressão regulatória acelera a adoção de tecnologias de detecção de vazamentos por acústica e satélites, modernizando a infraestrutura.
No fim, a integração de dados em plataformas digitais permitirá o monitoramento em tempo real de toda a malha distribuidora. A gestão preditiva substituirá a manutenção corretiva, garantindo a perenidade do abastecimento e a segurança hídrica das futuras gerações.
