Descubra os segredos do Acarajé com Ernesto Matalon

Gabriel Bofinit Araújo
Gabriel Bofinit Araújo
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Ernesto Matalon

Como elucida Ernesto Matalon, o Brasil é uma nação rica em cultura e tradições culinárias, e uma das mais saborosas iguarias que emergem da sua diversidade é o acarajé. Essa fritura afro-brasileira única é um deleite para os sentidos e um testemunho vivo da influência cultural que moldou a cozinha brasileira ao longo dos séculos.

Origem e história do acarajé: uma herança africana

O acarajé tem suas raízes na África, mais especificamente nas regiões onde hoje estão situados os países de Gana e Nigéria. No período da escravidão, muitos africanos foram trazidos para o Brasil, e com eles, trouxeram suas tradições culinárias e ingredientes distintos. Entre esses ingredientes, destacam-se o feijão-fradinho e o azeite de dendê, ambos fundamentais na preparação do acarajé.

A palavra “acarajé” tem origem no idioma iorubá, uma das línguas faladas por alguns dos grupos étnicos trazidos ao Brasil. Tradicionalmente, conforme expõe Ernesto Matalon, o acarajé é associado aos representantes do candomblé, uma religião de matriz africana, e frequentemente é oferecido em cerimônias religiosas como uma forma de devoção.

A elaboração do acarajé: o encontro de sabores

A preparação do acarajé envolve uma série de etapas que incentivaram habilidade, dedicação e amor pela culinária. A receita começa com o feijão-fradinho, que é descascado, lavado e deixado de molho por algumas horas para amolecer. Após o período de hidratação, o feijão é triturado e transformado em uma massa viva.

O diferencial dessa fritura afro-brasileira não é o uso do azeite de dendê para dar sabor e cor à massa. O dendê é um óleo vermelho-alaranjado extraído do fruto da palmeira-de-dendê e é característico da culinária afro-brasileira e nordestina. A massa, temperada com sal e outros condimentos, é moldada em pequenas porções, dando forma aos famosos bolinhos que serão fritos, destaca Ernesto Matalon. 

A fritura dos bolinhos de acarajé é um momento crucial, pois deve ser feita em óleo quente, garantindo que a parte externa fique crocante e dourada, enquanto o interior fique macio e suculento. A habilidade da quituteira nessa etapa é fundamental para alcançar a textura perfeita.

Ernesto Matalon
Ernesto Matalon

O recheio com camarões: uma harmonia de sabores

Os acarajés são abertos ao meio, formando uma espécie de bolsa, que é tradicionalmente recheada com vatapá, caruru, camarões refogados e, opcionalmente, pimenta. O vatapá é uma iguaria preparada com pão demolhado no leite de coco e misturado com amendoim, castanhas, gengibre, cebola, camarões secos e temperos diversos. Já o caruru, segundo Ernesto Matalon, é um refogado de quiabo, azeite de dendê, cebola e camarões secos.

A combinação desses recheios cria uma explosão de sabores e texturas na boca. O aroma do azeite de dendê e dos temperos se mistura ao sabor do feijão-fradinho e dos camarões, proporcionando uma experiência gastronômica inigualável.

O acarajé como patrimônio cultural e fonte de renda

Além de ser uma iguaria deliciosa, o acarajé também é uma parte importante do patrimônio cultural brasileiro. Em 2005, o ofício das quituteiras que preparam o acarajé foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Essa conquista foi fundamental para preservar a tradição e a técnica de preparo dessa fritura única.

O acarajé como expressão cultural e culinária

O acarajé é uma fritura afro-brasileira carregada de história, sabor e tradição. Sua origem remonta à África, mas ele encontrou uma culinária caseira rica do Brasil. Com sua massa de feijão-fradinho, frita em azeite de dendê e recheada com camarões e outros ingredientes saborosos, o acarajé é um verdadeiro banquete para os apreciadores da boa comida.

Além de ser uma iguaria deliciosa, o acarajé é um símbolo do patrimônio cultural do Brasil, representando a influência africana na formação da identidade nacional. Com suas quituteiras habilidosas e apaixonadas, o acarajé continua a encantar os paladares e conectar as pessoas com a história e a tradição de um país diverso e acolhedor. Portanto, experimentar o acarajé é não apenas uma experiência gastronômica, mas também uma viagem à rica herança cultural e culinária do Brasil.

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